O método Sánchez: sobreviver é o programa
Pedro Sánchez não governa. Administra a sua própria sobrevivência com uma competência que, vista sem o filtro do juízo moral, merece ser estudada como fenómeno político.
O modelo tem uma lógica interna precisa. O eleitorado fiel ao projecto sanchista organiza-se em torno de três sensibilidades emocionais de alta intensidade, cada uma mobilizada por um mecanismo próprio.
A causa palestiniana fornece a cobertura moral internacional. Não se trata aqui de discutir a legitimidade da posição espanhola sobre o conflito israelo-palestiniano, que tem os seus argumentos e o seu espaço de debate sério. Trata-se da forma como essa causa é integrada numa narrativa que, em momentos de maior pressão interna, ganha uma intensidade retórica e uma utilidade doméstica evidentes. Gaza não é apenas política externa. É um calendário de gestão de crises domésticas.
A segunda alavanca é o caso Begoña Gómez. A esposa do presidente, formalmente acusada de vários crimes relacionados com corrupção e tráfico de influências, é apresentada ao eleitorado feminista como vítima de........
