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A outra guerra

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10.04.2026

Vivemos no paradigma da equivocidade. Não é a falta de informação que nos desafia. É o seu excesso, a sua contradição permanente, a sua proliferação sem hierarquia nem filtro. A sociedade de informação produziu uma condição nova: a assimilação ubíqua. A informação já não é procurada. Encontra-nos. No bolso, no pulso, no intervalo de um semáforo. Chega sem contexto, sem verificação, muitas vezes sem fonte identificável. O consumo informacional afastou-se das fontes primárias e dos órgãos de comunicação social para se concentrar nos produtos das redes sociais: recortes, resumos, releituras, opiniões sobre opiniões. O “big data” antecipa preferências e expõe-nos de forma sistemática ao que queremos ver, não necessariamente ao que precisamos de saber. É neste ambiente que prospera a “misinformation”: informação falsa ou imprecisa partilhada sem intenção deliberada de enganar, mas com efeitos reais sobre a percepção. A equivocidade não a produz, mas oferece-lhe o terreno ideal.

A consequência é paradoxal. Quanto mais informação existe, menor é a capacidade crítica disponível para a processar. O que chega primeiro, ou mais vezes, ou com maior carga emocional, tende a ser retido como........

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