“Economic Fury”, a guerra que o Irão não pode ganhar em casa

Há uma tentação recorrente, na análise estratégica, de confundir destruição com resolução. Mas as guerras raramente se decidem apenas pelo volume do fogo. Há um ponto em que o martelo deixa de ser o instrumento certo e passa a ser necessário o bisturi: pressão cirúrgica, contenção persistente, selecção rigorosa de alvos e, acima de tudo, estrangulamento económico.

É importante começar pela distinção essencial: o regime islâmico não é o Irão. O regime existe para preservar a Revolução, não para servir o país, a civilização persa ou os milhões de iranianos que vivem sob o seu controlo coercivo. A Guarda Revolucionária não é uma força armada convencional; é o instrumento ideológico de um projecto de poder que se prolonga para lá das fronteiras iranianas. A sua lógica opera no Iraque, no Líbano, no Barém, no Iémen e noutros espaços onde a influência xiita organizada se converte em alavanca política e militar. O paradoxo é evidente: o Irão possui uma dimensão humana, civilizacional, energética e geoestratégica excepcional, mas é governado por um sistema que depende, estruturalmente, da sua própria degradação. O Paquistão, autoritário, ineficiente e sem recursos naturais comparáveis, e a Turquia, mais eficiente, mas igualmente sem esses recursos, conseguem ambos ser mais estruturados do que o Irão. Um regime forte, pragmático, afastado da teocracia, seria provavelmente a solução que Washington, pelo menos na sua liderança actual, aceitaria para........

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