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Estado da Inovação em Portugal, muita parra…

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24.09.2021

As recentes publicações do European Innovation Scoreboard (EIS) e do Regional Innovation Scoreboard (RIS) suscitam o retorno à velha questão, sempre atual, sobre as opções de desenvolvimento de Portugal. As quatro categorias do EIS agrupam os países de acordo com diversos indicadores de desempenho em inovação – Líderes, Fortes, Moderados e Emergentes.

Portugal encontra-se agora classificado no grupo dos ‘inovadores moderados’, ou seja, no conjunto de países que ainda não conseguiram transformar algumas condições, nomeadamente em termos de capacidades científicas e tecnológicas, em resultados com expressão na transformação da sociedade e no mercado internacional. A queda verificada no seu desempenho, em 2021, deve ser vista com cautela pois parece explicar-se, em parte, pelos dados reportados no inquérito feito às empresas, quando comparados com a edição de 2016.

O recurso a um conjunto de indicadores de avaliação percentual, não validada, padece de vários problemas de natureza metodológica e pode resultar em oscilações pouco fiéis à realidade. Numa nota mencionada na comunicação social, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) refere que este ‘exercício’ exige uma ligação próxima às empresas, o que parece não ter acontecido.

Este tema foi aliás alvo de polémica, a que não se pode ficar indiferente, mas que acabou por não trazer novidades quanto às medidas propostas para acelerar o desenvolvimento da inovação em Portugal. Os diagnósticos, as estratégias, os incentivos surgem em catadupa em diversos domínios, mas continuam a faltar informações e decisões concretas sobre as ações a concretizar e em que prazo, como transparece no relatório nacional de inovação, publicado pela Agência Nacional de Inovação (ANI).

O estado da inovação e as políticas existentes

Como anteriormente analisado, e tal como aponta o Professor Corado Simões (ISEG), essa é uma questão “para a qual a resposta do PRR é fraca, insuficiente e desfocada. A redinamização exige uma política de inovação sistémica, assente numa lógica de estímulo das interações entre os múltiplos atores envolvidos, desde as empresas às entidades públicas, passando pelas unidades de investigação, de interface e de financiamento. A concretização de tal política vai requerer uma capacidade de implementação que, como a história mostra, nos tem faltado em larga medida.” Acresce ainda a necessidade de uma maior articulação entre as políticas sectoriais, valorizando o conhecimento existente no país.

O estado da inovação em Portugal não deixa grande margem para dúvidas. A trajetória de aproximação com a União Europeia tem sido ameaçada e os esforços, nomeadamente em termos de lançamento de políticas públicas, apesar da bem-sucedida harmonização de........

© Jornal Económico


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