We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

A Espanha desavinda

3 4 0
03.05.2019

Felipe González disse em tempos que a política se resume à capacidade de interpretar o estado anímico dos cidadãos. Tomando o aforismo como verdadeiro, o quadro partidário saído das eleições de 28 de Abril espelha na perfeição a acrimónia e a polarização que caracterizam os ânimos em Espanha. O bipartidarismo consolidado pelos partidos popular e socialista na década de 1990, que atingiu o seu pico nas legislativas de 2008, acabou.

Há fracturas entre constitucionalistas e independentistas, entre nacionalistas e cosmopolitas, entre esquerda e direita, dentro da esquerda, dentro da direita, e dentro dos nacionalismos. Os resultados eleitorais lembram, em tom admonitório, as palavras de Thomas Macaulay: quem deseje conhecer até que ponto se pode debilitar e arruinar um grande Estado deve estudar a História de Espanha.

O país regressará às urnas no dia 26 de Maio para eleições europeias, mas também para municipais e doze autonómicas. Isto significa que os partidos têm incentivos acrescidos para esperar e perceber a correlação de forças que sairá destes escrutínios. Espanha continuará em campanha, com contaminação cruzada entre o palco nacional e as diferentes realidades locais. Assim, mais do que olhar para hipotéticos acordos partidários, vale a pena analisar a reconfiguração do quadro político, até para aferir as hipóteses de estabilidade a prazo.

Manual de resistência

Embora longe da maioria absoluta, o resultado de Pedro Sánchez é notável. Importa recordar que, em Dezembro de 2015, conduziu o partido socialista ao pior resultado de sempre em legislativas. Como deste acto eleitoral não saiu um governo, no ano seguinte os espanhóis foram novamente chamados a votar e Sánchez conseguiu o que parecia impossível: subtrair à anterior derrota histórica cinco mandatos e cerca de 150 mil votos. Foi um desastre sem paliativos. Após novo fracasso, desta feita nas eleições galegas e bascas, acabou demitido, com o golpe de misericórdia desferido pela figura tutelar de González.

Sánchez voltou à........

© Jornal Económico