Um ano de Omnibus: o que mudou (e não mudou) no reporte de sustentabilidade?
Há um ano, o pacote Omnibus foi apresentado pela União Europeia com a promessa de simplificar o enquadramento do reporte ESG e reduzir carga administrativa, sem comprometer a ambição da transição sustentável. Agora, um ano depois, o balanço começa a ser claro. O Omnibus não mudou o rumo da política europeia. Mudou o ponto de pressão.
Enquanto especialistas, temos acompanhado de perto esta evolução e os seus efeitos práticos nas organizações que trabalhamos. Observamos agora uma deslocação do foco, com menos ênfase no reporte enquanto exercício formal, e mais exigência sobre a capacidade real de operar com robustez, gerir risco e sustentar a transição no tempo. É esta leitura mais estrutural que importa fazer agora.
A alteração mais visível introduzida pelo Omnibus ocorreu no perímetro, no ritmo e na profundidade do reporte. A exigência passa a ser mais proporcional à escala e ao risco das organizações.
Por um lado, houve uma redução de cerca de 80% no número de empresas diretamente obrigadas a reportar ao abrigo da CSRD. Por outro, foi concedido um adiamento de dois anos para o início do reporte para a maioria das empresas abrangidas. A estas mudanças juntam-se a simplificação dos standards ESRS, uma maior coerência com a Taxonomia Europeia e a introdução de standards voluntários para PME (VSME), criando uma via mais proporcional e ajustada à sua........
