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Nós e os outros

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Há vinte anos, Portugal recebia pouco mais de 10,6 milhões de turistas e faturava 6,2 mil milhões de euros — 4,1% do PIB. Em 2024 chegou aos 31,6 milhões de hóspedes e 80,3 milhões de dormidas; em 2025, somou 32,5 milhões de hóspedes e 29 mil milhões de receitas. São números oficiais, não arredondamentos generosos de quem quer inflacionar a festa. O turismo vale hoje 16,6% do PIB, o segundo maior peso na Europa, apenas atrás da Islândia (18,9%) — prova de que ainda há espaço para crescer sem abandalhar. O salto é real e gigantesco, o que espanta é que ninguém parece saber para onde estamos a saltar: para uma piscina ou para um tanque?

O que Portugal tem é turismo de massas, com honrosas exceções: no Douro, elevado a região de excelência pela Organização Mundial do Turismo; num pedaço minúsculo do Algarve; e na Comporta, ainda em obras e a debater se deve somar exploração mineira aos projetos turísticos de grande ambição. Do lixo ao luxo em poucos quilómetros — um trocadilho e não dos mais subtis.

Já foi dito mil vezes: Lisboa não tem um Museu dos Descobrimentos, quando podia ter uma joia global, com uma réplica de caravela à escala e a história de quem se lançou ao mar e o que achou pelo caminho. Em vez disso, exibimos blocos e blocos de empreendimentos vendidos como sendo a lagosta e o caviar do “lifestyle”. Realmente, é muito pitoresco.

Olhemos para os Açores. Este extraordinário arquipélago entrou em semipânico ao perder os voos da Ryanair — seis rotas, 400 mil passageiros por ano. Sabem que mais? Embora com perdas financeiras momentâneas, os Açores deveriam festejar o fim das low-cost (aleluia!) com um cozido das Furnas e um belo copo de arinto do Pico. A Ryanair traz volume, não qualidade, mas como........

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