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Os desafios e as respostas que queremos dar

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08.04.2026

1 -  Desde sempre que o jornalismo se adaptou aos avanços tecnológicos que lhe permitiram, com crescente eficácia, recolher, editar e difundir informação. Do telégrafo ao email, do telefone ao fax, da máquina de escrever ao computador, sempre assim foi e sempre assim será. Cada geração de jornalistas enfrentou desafios próprios, mergulhando num mar de interrogações, levando a uma permanente busca de respostas. Esta geração não é, naturalmente, uma exceção neste processo. Mas a internet — e num sentido mais lato, o ecossistema digital — trouxe implicações inéditas na profissão, com a aceleração brutal do “tempo jornalístico”, com profundas alterações nos processos de mediação e nos modelos de negócio que historicamente sustentam o jornalismo, vertente fundamental para que as empresas possam cumprir a sua missão. E sabemos, numa escala mais próxima, que a maioria dos títulos locais e regionais pertencem a pequenas ou a micro empresas, com redações diminutas, muitas delas localizadas em territórios despovoados e com baixo dinamismo económico, o que se traduz num agravar do problema no seio da imprensa de proximidade. Não é, por isso, de espantar que aumentem os territórios listados nos “desertos de notícias”, municípios que já não têm sediados nem jornais, nem rádios de âmbito local. Como em tudo, esse vazio não ficará muito tempo por preencher, seja por projetos de qualidade e profissionalismo, no mínimo, duvidosos, seja pela profusão de uma comunicação institucional mantida com vastos recursos, sobretudo por parte das autarquias, disfarçada de jornalismo. No próximo dia 18, a vila de Penamacor irá acolher um momento de inegável relevância para o jornalismo. Este congresso que o Jornal do Fundão promove, inserido no plano das comemorações dos 80 anos deste semanário, reúne um conjunto altamente qualificado de profissionais do setor num amplo espaço de debate, onde se irão abordar questões que, hoje, são transversais a todas as redações. Falamos de equipas de jornalistas que vivem debaixo da pressão constante trazida por este novo e exigente ecossistema mediático e que tem implicações diretas nos campos da ética e da deontologia, mas também na regulação e nos modelos de negócio. No fim sobrarão as verdadeiras questões que, de resto, dão o mote ao congresso: Que jornalismo temos? Que jornalismo queremos? De que jornalismo precisamos? Tentar-se-á, com a ajuda destes profissionais, esboçar algumas respostas. 

2 - Tal como foi anunciado no início deste ano no lançamento do plano das comemorações dos 80 anos do JF, as grandes realizações do aniversário irão centrar-se, fundamentalmente, nos três eixos da ação histórica deste título: Jornalismo, cultura e desenvolvimento regional. Este congresso é a concretização desse primeiro e fundamental alicerce que deu lastro ao JF ao longo de oito décadas. Já na próxima edição entraremos no segundo campo fundamental da história deste semanário: a cultura. Nestas páginas escreveram, como se sabe, alguns dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. Abril ficará, assim, marcado pelo lançamento da primeira edição de uma revista com uma seleção inaugural de textos de nomes consagrados da literatura portuguesa e brasileira que tiveram o JF como um porto seguro feito de liberdade e de tolerância, sobretudo quando muitas outras portas se fechavam durante a ditadura. 


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