Vindima

O futebol, em particular os campeonatos, têm momentos redundantes em que não se joga para nada de especial. O Vitória, mergulhado num torvelinho de acontecimentos surpreendentes e escusados, está nessa fase em que é preciso cumprir calendário da forma melhor que é possível fazer e a equipa tem-no feito nos últimos encontros de forma briosa.

A equipa tem tido esse mérito neste final de vindima. Um conjunto de homens - sobretudo de jovens - com imenso potencial tem conseguido, nesta fase última do campeonato, esquecer a circunstância e concentrar-se no propósito. Reconheço-lhes isso.

A jogar contra uma espécie de delegação das Nações Unidas, com gente de todas as nacionalidades, à exceção da portuguesa, o Vitória dominou toda a primeira parte, mas sempre, como tem sido recorrente, com problemas no último terço. Algo a que já nos habituamos. O passe que parece lógico e fácil, acaba por nunca sair em condições. Arrelia, mas é o que existe.

Foi precisamente quando a delegação da ONU se abriu um pouco mais, arriscou um pouco mais no seu pensamento ecuménico, que o Vitória conseguiu o resultado que mereceu. Destaque para as entradas dos jovens que na segunda parte deram mais ambição e propósito ao ataque vitoriano, especialmente a de Tony Strata, um romeno nascido em França com o nome de Anthony, que, apesar de ser defesa direito, deu outra dinâmica ao processo da equipa. Os Nogueiras (Gonçalo e Miguel) entraram igualmente muito bem e até a minha irritante embirração (Telmo Arcanjo) conseguiu fazer o cruzamento fundamental para abrir o estreito de Ormuz, dinamitando o embargo multilinguístico.


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