Um trio de carrascos
Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Ali Khamenei. Os três protagonistas da espiral de loucura para que a humanidade se vê de novo atirada. Um presidente americano política e moralmente corrupto que despreza a democracia; um primeiro-ministro israelita comprovado criminoso de guerra; e um aiatola iraniano que lidera uma ditadura teocrática que não hesita em massacrar o seu próprio povo e em espalhar o terror pelos outros. Numa guerra, o resultado final é sempre incerto. Nesta, com estes protagonistas, é certo que haverá bombas, sofrimento e morte e que, depois de as bombas se calarem, continuará a haver sofrimento e morte, porque é essa a sua natureza. Um carrasco será sempre um carrasco, mesmo que viva em Miami e goste de exibir o taco de golfe.
Trump e Netanyahu iniciaram uma guerra com o Irão sem se darem ao trabalho de encontrar uma justificação razoável. Nas últimas horas, recuperaram o argumento da ameaça nuclear, a mesma que, segundo o presidente americano, tinha sido "obliterada" pelos bombardeamentos do ano passado. Trump desafiou também os iranianos a aproveitarem a oportunidade que lhes estava a dar, saírem para a rua e derrubarem o regime. De facto, saíram, mas para se porem a salvo. Como disse uma mulher a partir de Teerão, a sua preocupação é com a segurança das filhas. A ninguém passa pela cabeça sair para as ruas e derrubar regimes por entre as explosões das bombas.
Trump e Netanyahu não têm nenhuma boa razão para esta guerra. O fim do regime iraniano merecia ser festejado, tal é o seu cardápio de perseguição à dissidência, de terror sobre as meninas e as mulheres, e de violência homicida contra quem ouse protestar, seja o pretexto qual for, incluindo a miséria e a fome. Mas o americano e o israelita não perdem o sono com isso. O que os move não é a defesa dos direitos humanos, é a necessidade de se afirmarem como homens fortes e de continuarem a manipular os seus eleitorados. Porque, de facto, essa diferença ainda têm relativamente a Khamenei (cujo eventual assassinato não é sinónimo de fim do regime), foram gerados pelo voto. O que, como se vê, não deve tranquilizar ninguém.
