1. Foi há seis meses que a ambição e violência do regime nacionalista russo nos surpreendeu. Já morreram milhares de pessoas. Um sem-número de casas, escolas ou hospitais foram destruídos pelas bombas. Milhões de mulheres e crianças fugiram e espalharam-se pela Europa.

Os ucranianos pagaram um preço elevado, mas conseguiram o impossível: travaram as tropas do gigante russo. Agora, como nos primeiros dias de guerra, continua a ser fundamental que sejamos solidários com o povo ucraniano (como se escreveu na primeira página do JN na primeira edição da guerra, a 25 de fevereiro). Uma solidariedade que se materialize em apoio político, económico, financeiro, social e militar.

2. As primeiras armas usadas pela União Europeia no conflito foram as sanções económicas e financeiras. Um exercício político difícil, dada a evidência de que, num mundo global, haveria ricochete. Mais ainda quando o adversário era um dos principais produtores de petróleo e gás natural. A inflação, que já se fazia sentir antes da guerra, disparou. Seguiu-se a subida das taxas de juro. E a ameaça de uma recessão, com a destruição de emprego que sempre a acompanha. A solidariedade com o povo ucraniano também terá um preço elevado para os europeus. Mas os governos, o nosso, como os dos outros, não gostam de falar nisso. Como se fosse possível tapar o sol com a peneira. Sem verdade, não haverá solidariedade.

3. Para milhões de europeus, esta é a primeira grande ameaça à paz e prosperidade que viveram em toda a sua vida. E à falta de um projeto político europeu capaz de se entender sobre um modelo de defesa coletivo próprio, agarrámo-nos ao que estava mais à mão, a NATO (e aos norte-americanos, que são o seu verdadeiro pilar). Uma organização que parecia anacrónica ganhou fôlego, novos objetivos estratégicos, a promessa de novos meios de combate e até novos membros. O mundo ocidental deu início a uma nova corrida às armas, preparando-se para a ameaça expansionista da Rússia de Putin. Mas também vai ser preciso começar a falar de paz. Se é que levamos a sério a solidariedade para com o povo ucraniano.

*Diretor-adjunto

QOSHE - Solidários com o povo ucraniano - Rafael Barbosa
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

Solidários com o povo ucraniano

5 0 5
24.08.2022

1. Foi há seis meses que a ambição e violência do regime nacionalista russo nos surpreendeu. Já morreram milhares de pessoas. Um sem-número de casas, escolas ou hospitais foram destruídos pelas bombas. Milhões de mulheres e crianças fugiram e espalharam-se pela Europa.

Os ucranianos pagaram um preço elevado, mas conseguiram o impossível: travaram as tropas do gigante russo. Agora, como nos primeiros dias de guerra, continua a ser fundamental que sejamos solidários com o povo ucraniano (como se escreveu na primeira página do JN........

© Jornal de Notícias


Get it on Google Play