O cenário idílico escolhido pelo PSD para reagir à apresentação do Orçamento do Estado é uma bela metáfora do estado em que o partido se encontra. Miranda Sarmento, líder do grupo parlamentar, está na praia fluvial de Monsaraz, em Évora, quando os jornalistas o questionam sobre matéria que ele, economista com créditos firmados, em princípio sabe de cor e salteado. Saem-lhe vulgaridades. O PSD está tão sossegado como as pachorrentas águas da praia fluvial. E assim se manterá, à espera que o Governo caia de podre. Pedir um bocadinho mais do que isto é, talvez, cobrar ao PSD mais do que o PSD consegue dar. Exemplos: perguntado sobre o que falta na proposta orçamental, Miranda Sarmento respondeu: falta uma aposta na "competitividade da economia e na produtividade", já que, acrescentou, "sem crescimento económico e produção de riqueza (...) não é possível pagar melhores salários e também não há receita fiscal para melhorar os serviços públicos". A sério? No momento em que o Governo apresenta uma proposta que tem em cima dela uma crise sem fim nem efeitos previsíveis, o PSD balbucia trivialidades? Por estes dias, o líder Montenegro calcorreia o país com um bloco de notas na mão, onde supostamente anota as queixas dos fustigados portugueses, para a seguir as compilar e, a partir de um qualquer púlpito, jurar que sabe o que o país precisa, porque auscultou os indígenas. O país profundo talvez esteja mais interessado em saber que tipo de Orçamento apresentaria o PSD, se estivesse no Governo. Ou a resposta a questões concretas: o acordo em sede de concertação social beneficiou a proposta de Orçamento, ou não? Na verdade, o PSD faz lembrar a raspadinha. Tenta-se, uma e outra vez, que nos saia algo, mas o jogo, tramado, ou nos devolve zero, ou apenas uns tostões. Há quem desista. Há quem insista. Há até quem desespere. Este PSD é um desespero.

*Jornalista

QOSHE - O PSD e a raspadinha - Paulo Ferreira
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O PSD e a raspadinha

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14.10.2022

O cenário idílico escolhido pelo PSD para reagir à apresentação do Orçamento do Estado é uma bela metáfora do estado em que o partido se encontra. Miranda Sarmento, líder do grupo parlamentar, está na praia fluvial de Monsaraz, em Évora, quando os jornalistas o questionam sobre matéria que ele, economista com créditos firmados, em princípio sabe de cor e salteado. Saem-lhe vulgaridades. O PSD está tão sossegado como as pachorrentas águas da praia fluvial. E assim........

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