Tudo e nada
Num jogo de tudo ou nada, daqueles que têm de ser ganhos ou ganhos, o Benfica teve tudo e saiu com nada. Teve 78% de posse de bola, 18 remates e 12 cantos e poderia sair com um resultado favorável, mas "conseguiu" empatar com um Casa Pia que fez dois remates e num lance trapalhão, mas revelador do espírito de luta, da crença e da vontade de sair da situação difícil em que se encontra, obteve o empate que tanto desejava.
Poderia assim o Benfica sair de Rio Maior (incompreensível como anos depois ainda é a "casa" de um clube da primeira liga) com o campeonato em aberto e o segundo lugar à mercê e acabou por sair com o título arrumado e o segundo lugar bastante complicado como, realisticamente, José Mourinho reconheceu. Se na primeira parte, sobretudo na primeira meia hora, faltou a tal "fome" que Mourinho falava, na segunda faltou a pontaria que demasiadas vezes se tem verificado. Têm razão os adeptos, que apoiaram a equipa de início ao fim, ao mostrarem o seu descontentamento no final.
Resta, e não é pouco, jogar o que falta, com a consciência que todos os jogos são da máxima importância e que todos exigem o máximo foco, rigor e empenho, mesmo quando, como infelizmente parece, já não se sairá do terceiro lugar que há muitos anos não conhecia. Terão de o fazer num contexto que será difícil, adeptos exigentes e desconfiados, uma comunicação social que não perderá um segundo a especular sobre saídas e entradas, num ambiente nada favorável para uma equipa que tem muitos jovens, mas é como estamos, como nos empurraram, mas também como nos deixámos ficar...
