O filme de João César Monteiro celebra o primeiro de uma trilogia, alter-ego do realizador em versão herói deambulante, desafiador e corrosivo. “Recordações da Casa Amarela”, talvez a sua obra mais reconhecida, não foi inspiração para as habituais acusações a Sérgio Conceição sobre temperamento e fervura. Desta vez, o único pecado que o treinador do F. C. Porto terá cometido foi o de comemorar um golo, obtido na última jogada da partida, depois de tentativas várias, aos 90+8 minutos, obtido por um jogador que se despede do Dragão em crise de choro compulsivo. O quinto amarelo a Conceição afasta-o do banco no jogo decisivo frente ao Sporting de Braga na última jornada da Liga. É difícil compreender como se retira a um treinador a possibilidade de dirigir a equipa num jogo determinante para a classificação apenas por ter festejado um golo, sem qualquer grau de acinte para o adversário. Depois da expulsão de Luis Díaz ao rematar para golo em Braga, este amarelo a Sérgio Conceição até pode trazer recordações do quarto amarelo, assim como dos anteriores. Mas, ainda que baseado na lei de jogo, é uma peça de injustiça e traição ao que de melhor tem o futebol.

Arrancada a fórceps, a vitória frente ao Boavista encerra um misto de justiça e acerto de contas. Tanto no cruzamento teleguiado de Francisco Conceição como na cabeçada certeira e decidida de Taremi, encontramos o que de melhor o F. C. Porto tem para fazer sobreviver: raça, talento e pertença. A emoção na despedida de Taremi, a alegria incontida de uma equipa à procura de fazer justiça a si mesma, a projecção de dois jogos mais para uma trilogia de vitórias no fim de temporada.

QOSHE - Recordações do quarto amarelo - Miguel Guedes
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Recordações do quarto amarelo

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19.05.2024

O filme de João César Monteiro celebra o primeiro de uma trilogia, alter-ego do realizador em versão herói deambulante, desafiador e corrosivo. “Recordações da Casa Amarela”, talvez a sua obra mais reconhecida, não foi inspiração para as habituais acusações a Sérgio Conceição sobre temperamento e fervura. Desta vez, o único pecado que o treinador do F. C. Porto terá cometido foi o de comemorar um golo,........

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