Começar a semana com o apuramento para a Champions, após uma goleada em Bruges, indiciava uma equipa centrada nos seus objectivos e surpreendentemente apurada à 5.ª jornada, pronta para discutir o 1.º lugar do grupo. Parecia ultrapassada a derrota no Dragão com o Benfica, trauma hipotético com consequências na confiança da equipa. Nenhum portista saiu do clássico convencido da superioridade do adversário ou com a ideia de que as contas haviam sido encerradas. Se a montra de personalidade ficou bem patente na Bélgica, o F. C. Porto resolveu investigar a ruína na competição de regularidade da Liga, objectivo maior, compreensivelmente sem fôlego nem folga física mas, sobretudo, a jogar para o relógio que fazia adivinhar um percalço. Após um golo madrugador, é difícil compreender como a equipa resolveu colocar doses de amaciador no jogo.

Apontar direcções individuais para o caminho que nos levou a perder dois pontos nos Açores não é um exercício justo. A responsabilidade colectiva é evidente. Perante as circunstâncias favoráveis da partida, ligar o modo "arrastão" para um jogo que se devia querer sentenciar (e então gerir), é uma assinatura sobre a falta de noção e enquadramento. As equipas não são perfeitas e têm direito aos seus momentos. Mas perder cinco pontos em dois jogos pode assinar um contrato de fatalidade.

As contas não são, agora, nada macias. Caindo para o terceiro lugar, cabe ao F. C. Porto dar a resposta de carácter que já parecia adquirida. E ninguém duvida que tentará. Sérgio Conceição não atirará a toalha, sabendo que dificilmente uma época se salva na Liga dos Campeões dos tubarões europeus.

A vitória em Bruges, parecendo que aconteceu há uma eternidade, tem apenas uma semana. A ideia de competência, solidez e eficácia que permitiu o apuramento para os 1/8 da Liga dos Campeões, após duas derrotas nos dois primeiros jogos, tinha tudo para elevar a equipa a um patamar maior.

O empate com o Santa Clara é incompreensível no contexto de quem corre atrás de um prejuízo na Liga. O adormecimento da equipa não é desculpável. Agora, a oito pontos da liderança, nenhum passo em falso será permitido sem que se comprometa a luta pelo bicampeonato.

*Adepto do F. C. Porto

o autor escreve segundo a antiga ortografia

QOSHE - Recomeçar sem erros - Miguel Guedes
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Recomeçar sem erros

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01.11.2022

Começar a semana com o apuramento para a Champions, após uma goleada em Bruges, indiciava uma equipa centrada nos seus objectivos e surpreendentemente apurada à 5.ª jornada, pronta para discutir o 1.º lugar do grupo. Parecia ultrapassada a derrota no Dragão com o Benfica, trauma hipotético com consequências na confiança da equipa. Nenhum portista saiu do clássico convencido da superioridade do adversário ou com a ideia de que as contas haviam sido encerradas. Se a montra de personalidade ficou bem patente na Bélgica, o F. C. Porto resolveu investigar a ruína na competição........

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