A rota do título passou pelo Dragão e prosseguiu, indefinida, para as 24 jornadas que faltam para a conclusão da Liga. Vinte e quatro.

Percebem-se os festejos incontidos de Rui Costa no balneário do Dragão, após a sua primeira vitória enquanto presidente frente ao F. C. Porto: Rui Costa, dirigente, precisava tanto desta vitória como o Benfica a que preside. Apesar dos festejos prematuros, esta vontade de afirmação presidencial não deixa de ter fundamentos históricos: há quatro anos que as águias não ganhavam ao F. C. Porto, sendo esta a primeira derrota dos dragões nos últimos 15 clássicos com Benfica e Sporting. E foi obra e de autores. Uma obra que atravessa o momento das equipas que ditou o contexto do Benfica poder jogar com dois resultados, bate à porta da frieza de Schmidt e do arrojo de Conceição, identifica Eustaquio como factor de desequilíbrio, enaltece a competência das equipas, a coragem maior do F. C. Porto e a dualidade de critérios disciplinares de João Pinheiro. À 10.ª jornada, seis pontos de desvantagem que dificilmente serão sete porque o F. C. Porto tudo fará para ganhar na Luz.

O Benfica chega ao golo num contra-ataque, aos 72", quando jogava em superioridade numérica (contra 10 desde os 27"). Isso diz mais da coragem e vontade do F. C. Porto em ganhar o jogo, do que sobre o que os encarnados não conseguiram fazer ao preferirem não correr riscos. O F. C. Porto nunca saiu da discussão do resultado, nunca deixou de dar a ideia de poder marcar, conquistou cantos, livres perigosos. Pressionou o adversário, tanto quanto podia. A não expulsão de Bah, por acumulação de amarelos durante a primeira parte, permitiu ao técnico exercer mudanças no conforto do lar provisório. Falta muito para entregar as faixas e a luta só será mais dura. Do caminho sinuoso que nos espera, ninguém duvida.

A subir

A homenagem a Fernando Gomes ao minuto 9, repleta de simbolismo e afecto. O Dragão nunca deixará de ser o 12.º jogador ao lado de um dos maiores símbolos do clube.

A descer

Nenhuma derrota pode ser positiva, nem há vitórias morais. Ninguém acredita que o que quer que seja tenha acabado. Não há um portista que tenha atirado a toalha ao chão perante a manifestação de carácter que o F. C. Porto demonstrou com 11 ou reduzido a 10 unidades.

*Adepto do F. C. Porto

O autor escreve segundo a antiga ortografia

QOSHE - Confiança e carácter - Miguel Guedes
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Confiança e carácter

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25.10.2022

A rota do título passou pelo Dragão e prosseguiu, indefinida, para as 24 jornadas que faltam para a conclusão da Liga. Vinte e quatro.

Percebem-se os festejos incontidos de Rui Costa no balneário do Dragão, após a sua primeira vitória enquanto presidente frente ao F. C. Porto: Rui Costa, dirigente, precisava tanto desta vitória como o Benfica a que preside. Apesar dos festejos prematuros, esta vontade de afirmação presidencial não deixa de ter fundamentos históricos: há quatro anos que as águias não ganhavam ao F. C. Porto, sendo esta a primeira derrota dos dragões nos últimos 15........

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