#funeral
São 20 segundos de uma crueldade visceral. Vejo-os, revejo-os e choro. Quatro crianças estão a brincar com um boneco num campo de refugiados em Gaza. Os fatos de treino coloridos e divertidos chocam com a brincadeira sombria. Desconcertante. Estão a simular um cortejo fúnebre como aqueles a que assistiram em tão tenra existência. Entre pulos e sorrisos, colocam o boneco de trapos num pequeno suporte preto, estilo maca, e elevam-no à altura das cabecinhas. A guerra não acabou. Está e estará nos sonhos, no amanhecer, no deitar e no trauma destes meninos. A morte chegou sem aviso - como as bombas - e engoliu-lhes a vida, despedaçou-lhes a família, a infância, o presente e o futuro. Não há Guerreiras do K-Pop na Faixa de Gaza porque os guerreiros têm de ser eles. Os pequenos. A guerra não acabou. A guerra não acabou. A guerra não acabou.
