Há problemas no Ensino Secundário

Esta semana, o país ficou a saber que, em 2025, mais de 20% de jovens não concluíram o Secundário. Sabemos que serão mais de 20 mil, mas não o que estão a fazer. Mantiveram-se na escola a repetir o ano? Abandonaram a escola sem concluir o Secundário? Entraram no mercado de trabalho? Que oportunidades tiveram? Silêncio! São questões que parece não constituírem problema ou prioridade política para quem governa.

O objeto do estudo divulgado pelo Ministério, "Quebra de ingressos no Ensino Superior", é esclarecedor. Revela uma preocupação com as consequências do insucesso dos estudantes do Secundário para as instituições de Ensino Superior, que perdem alunos. Não demonstra preocupação com as causas do insucesso, isto é, com as condições pedagógicas, sociais e económicas proporcionadas aos estudantes do Ensino Secundário. Nem preocupação com o destino daqueles jovens que abandonam a escola sem o concluir.

O estudo apenas verifica que, em 2025, diminuiu o número de diplomados do Ensino Secundário devido à redução das classificações médias nos exames nacionais. E considera que o aumento do número mínimo de provas de ingresso no Ensino Superior teve impacto negativo no número de candidatos ao Superior. Toda a discussão se faz à volta dos exames e a única medida de curto prazo proposta é a diminuição do número de exames exigidos para acesso ao Ensino Superior. O debate público está, também ele, centrado no número de exames, sem que se discuta a qualidade destes e o seu peso relativo na avaliação.

Em março, foi divulgado um estudo académico que sublinha o impacto das explicações, acessíveis apenas a um terço dos estudantes, na superação das dificuldades de aprendizagem e na preparação para os exames. Sabemos há muito que o aumento da procura de explicações e o aumento do número de saídas para o privado são sintomas de que algo não vai bem no Secundário da rede pública. Devíamos retirar consequências destes factos para melhorar a igualdade de oportunidades educativas, envolvendo nesse esforço as escolas.

Perante o desastre do insucesso no Secundário e a desigualdade social que os números escondem, é lamentável a ausência de uma política educativa centrada na recuperação ou melhoria da qualidade do ensino e das aprendizagens, de construção de caminhos alternativos de qualificação e na criação de oportunidades de carreiras qualificadas para todos os jovens. O mais provável é, pois, que o desastre se repita neste ano de 2026. E nos próximos.


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