Os humanoides que vão mudar tudo

Imagine um robô que pudesse ensinar matemática, ciências, línguas e outros saberes às crianças. Um docente com uma paciência sem limites, que nunca se cansa, que nunca falta às aulas. A cena podia pertencer a um filme de ficção científica, mas aconteceu mesmo na Casa Branca.

Durante uma cimeira internacional dedicada à educação e tecnologia, onde estiveram presentes 45 primeiras-damas e representantes de 28 empresas tecnológicas, Melania Trump entrou no Salão Leste acompanhada por um robô humanoide, que caminhou ao seu lado com naturalidade. Batizado Figura 03, o robô não é, porém, apenas uma solução futurista para resolver o problema de falta de recursos nas escolas. É, sobretudo, uma demonstração de poder e um aviso para russos e chineses.

"Obrigado por me convidar para a Casa Branca", afirmou o robô, agradecendo por fazer parte "deste movimento histórico". Mas o primeiro humanoide a desfilar na Casa Branca não é só um tutor tecnológico capaz de revolucionar o sistema de ensino. Para a mulher de Trump, representa a versão humana da inteligência artificial.

Por isso, o robô que caminhou na Casa Branca foi mais do que um espetáculo futurista. Foi uma coreografia de poder. Uma resposta à Rússia, após Moscovo ter passado por um momento embaraçoso quando um humanoide caiu durante uma demonstração. Uma resposta à China, depois de Pequim ter impressionado o Mundo ao mostrar seis robôs humanoides capazes de executar artes marciais.

O "professor" robô dá-nos uma lição bem diferente. A disputa tecnológica já não se trava apenas com algoritmos, drones, mísseis ou satélites. Trava-se também na capacidade de dar um corpo às máquinas.


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