A prova de que as comissões de inquérito parlamentares se tornaram mais numa espécie de reality show, com palco televisivo privilegiado para vários deputados, do que sessões de escrutínio está patente no caso das gémeas que receberam o medicamento mais caro do Mundo.

Só assim se entende a necessidade da audição à mãe das meninas luso-brasileiras, marcada para hoje à tarde, ser presencial. Isto é, paga por todos os contribuintes portugueses.

A confirmação foi dada aos jornalistas, anteontem, pelo presidente desta Comissão Parlamentar de Inquérito. Segundo o deputado do Chega Rui Paulo Sousa, o advogado de Daniela Martins confirmou que a mulher pode deslocar-se a Portugal, sendo que os custos vão ser assumidos pela Assembleia da República.

Seria interessante que os deputados da comissão explicassem aos portugueses que dificuldades têm em realizar uma audição por videoconferência. Não deixa de ser irónico que, num processo onde estão em causa quatro milhões de euros, o Parlamento entenda que se justifica pagar uma viagem de ida e volta para ouvir uma testemunha. E nem os populistas se referem ao assunto. Brilhariam menos num ecrã de computador.

Inicialmente, a mãe das meninas fez um pedido expresso para ser ouvida no Brasil por videoconferência, alegando que a sua presença em Portugal prejudicaria a assistência necessária às filhas. Não podia vir, agora já pode.

O testemunho à distância de Daniela Martins não deveria ser uma possibilidade, mas sim uma decisão racional de todas as partes.

Eventualmente, os portugueses também vão pagar a viagem a Portugal do filho do presidente da República se Nuno Rebelo de Sousa resolver marcar presença na mesma comissão parlamentar. Até lá, pode ser que o Parlamento dê mais uso às ferramentas digitais.

QOSHE - A viagem que todos pagamos - Manuel Molinos
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A viagem que todos pagamos

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21.06.2024

A prova de que as comissões de inquérito parlamentares se tornaram mais numa espécie de reality show, com palco televisivo privilegiado para vários deputados, do que sessões de escrutínio está patente no caso das gémeas que receberam o medicamento mais caro do Mundo.

Só assim se entende a necessidade da audição à mãe das meninas luso-brasileiras, marcada para hoje à tarde, ser presencial. Isto é, paga por todos os contribuintes........

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