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Territórios que curam

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09.03.2026

É cada vez mais evidente que o lugar e o contexto social em que vivemos influenciam de forma direta e significativa a nossa saúde. Não é por acaso que muitas das doenças que atualmente afetam milhões de pessoas, como o burnout, a depressão ou a ansiedade, advêm de rotinas e de estilos de vida acelerados e de fatores sociais que já não se resolvem apenas com os cuidados médicos convencionais ou com prescrição clínica.

Recorre-se agora às artes, à música, à formação, ao convívio e ao desporto na promoção da saúde e na prevenção da doença, naquilo que se designa prescrição social. Uma abordagem ainda recente no nosso país, mas reconhecida internacionalmente, nomeadamente pela Organização Mundial de Saúde, como uma resposta às necessidades sociais dos cidadãos promovendo o seu bem-estar físico e psicológico através dos recursos e atividades disponíveis na comunidade.

Um modelo de promoção de saúde ao qual os municípios e os autarcas não estão alheios. A saúde da nossa comunidade já não depende apenas das instituições de saúde e dos seus profissionais. Depende também da capacidade de dinamização de iniciativas, projetos e medidas promotoras de um território cada vez mais saudável e de políticas públicas locais capazes de melhorar integralmente o bem-estar físico e mental dos cidadãos e, com isso, aumentar a sua qualidade de vida.

Este é, de resto, um compromisso e um desafio que em Vila Nova de Famalicão temos levado muito a sério. Na cultura, por exemplo, veja-se a forma como os muitos projetos de cocriação comunitária que temos desenvolvido têm promovido a inclusão social. Vejam-se os grandes resultados ao nível do combate ao isolamento e da promoção do bem-estar da recém-criada rede concelhia de academias seniores e do espaço sénior que abrimos em pleno centro da cidade. Vejam-se os benefícios de projetos como as hortas comunitárias ou de programas municipais promotores de atividade física, como o "Famalicão em Forma" ou o "Mais e Melhores Anos". Pense-se também, por exemplo, no impacto que os muitos espaços verdes que estamos atualmente a construir no concelho terão no bem-estar físico e mental da nossa população.

Antes de chegar aos consultórios, a saúde começa nas praças, nos parques, nas ruas, nas relações que estabelecemos, nas conversas que temos e nas comunidades em que nos inserimos. É lá que a vida acontece e a prescrição social lembra-nos precisamente disso!


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