Na entrevista ontem publicada no JN, Rosário Alves, diretora-executiva da Forestis, uma federação que representa 18 mil proprietários florestais, revela que a região Norte tem sido prejudicada no acesso a fundos europeus orientados para a gestão florestal.

Para aqueles que duvidam da importância da descentralização e da regionalização do país, Rosário Alves apresenta os prejuízos do centralismo de forma difícil de rebater. É nas coisas que mais nos afetam diretamente, como a gestão da floresta, que o centralismo é mais pernicioso.

Longe da vista, longe do coração. E longe da ação mobilizadora das forças locais que podem fazer a diferença. É por isso que o reforço das comunidades é essencial ao desenvolvimento do país, que já não pode dar-se ao luxo de deixar de resolver problemas só porque estão afastados da administração central.

É por isso necessário que continuemos a aprofundar a descentralização, reforçando o papel dos municípios e capacitando mais as comunidades intermunicipais (CIM) e as áreas metropolitanas, ao mesmo tempo que as comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR) alargam o leque das suas competências.

Se não existirem as condições políticas (leia-se "partidárias") para que avancemos com o referendo à regionalização em 2024, tal não pode servir de desculpa para desacelerar a urgente reforma do modelo administrativo do país, corrigindo os vícios do centralismo.

Mas este caminho implica que saibamos todos usar o diálogo e a cooperação como instrumentos de construção coletiva, capaz de valorizar as diferenças de cada um como forças de todos, sempre com a capacidade de exercer solidariedade institucional e de trabalharmos em conjunto para os objetivos comuns.

Não me canso de apelar ao esforço de união, porque é dela que nasce a força. E é verdade que, no Norte, nem sempre temos sido capazes de manter a união em torno do interesse coletivo.

Num recente debate com o presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, a convite do ISAG-European Business School, ambos concluímos que o que é bom para Matosinhos é bom para Braga e o que é bom para Braga é bom para Matosinhos. Porquê? Porque os dois municípios partilham o mesmo espaço regional e quanto mais forte for a região, melhor para todos.

Penso convictamente que é este o espírito que deve marcar os passos que damos na descentralização do país, seja na dimensão municipal e intermunicipal, seja na dimensão regional. Com o contributo de cada um e de todos.

Presidente da Câmara de Matosinhos

QOSHE - Longe da vista, longe da ação - Luísa Salgueiro
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Longe da vista, longe da ação

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18.07.2022

Na entrevista ontem publicada no JN, Rosário Alves, diretora-executiva da Forestis, uma federação que representa 18 mil proprietários florestais, revela que a região Norte tem sido prejudicada no acesso a fundos europeus orientados para a gestão florestal.

Para aqueles que duvidam da importância da descentralização e da regionalização do país, Rosário Alves apresenta os prejuízos do centralismo de forma difícil de rebater. É nas coisas que mais nos afetam diretamente, como a gestão da floresta, que o centralismo é mais pernicioso.

Longe da vista, longe do coração. E longe da ação mobilizadora das forças locais........

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