Este ano, depois de uma interrupção forçada pela pandemia, realizaram-se, no seu formato tradicional, as Festas do Senhor de Matosinhos.

Num recorde absoluto, cerca de dois milhões de pessoas participaram nesta grande festa popular, celebrando não apenas a sua devoção ao Senhor de Matosinhos ou a sua vontade de convívio e diversão entre familiares e amigos, mas, sobretudo, a libertação do jugo da pandemia e das suas restrições.

Durante dois anos estivemos, cada um de nós, a viver os efeitos de uma crise sanitária. Agora, ainda que não totalmente livres de risco, sabemos que podemos voltar a viver em comunidade sem medo.

Convém não esquecermos a que devemos esta liberdade reconquistada. Por um lado, a uma atuação decisiva do Governo, articulado com a União Europeia, que permitiu simultaneamente mitigar os efeitos económicos e sociais da crise. Por outro lado, ao trabalho exemplar do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que foi capaz de se agigantar para responder perante uma crise sanitária nunca vista, garantindo os cuidados vitais a todos.

Agora, volvido este período de resposta mais imediata à pandemia, descobrimos que tudo o que se fez produziu efeitos laterais que se acumulam no presente e que temos de resolver.

Aos que falam da situação atual do SNS, ignorando o contexto pandémico de que decorre - uns por demagogia oportunista, outros porque ainda não desistiram de tentar destruir um dos maiores legados da nossa democracia -, devemos responder com a mesma vontade de resolver os problemas que já demonstrámos antes.

O SNS é demasiado importante para que possamos desistir dele. Os desafios que enfrenta, sejam conjunturais, sejam estruturais, serão sempre mais fáceis de ultrapassar agora do que quando o SNS foi criado, em 1979. Num país que não garantia a mínima igualdade de acesso a cuidados básicos de saúde, fomos capazes de criar uma resposta que todos os dias atinge a excelência em tantos centros de saúde, hospitais e serviços.

Para que o SNS continue a evoluir, respondendo às necessidades de uma população mais envelhecida e acompanhando os desenvolvimentos científicos e tecnológicos da medicina, precisamos de investimento. Mas, mais importante, precisamos de fazer a sua defesa perante os ataques cerrados dos que querem fazer da saúde de todos o negócio de alguns.

Há em Matosinhos uma grande devoção ao Senhor de Matosinhos. Mas não será menor o reconhecimento de toda a comunidade pelo trabalho e desempenho da Unidade Local de Saúde, notável na sua excelência e um exemplo claro do que o SNS representa para todos nós.

Presidente da Câmara de Matosinhos

QOSHE - Devoção e convicção - Luísa Salgueiro
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Devoção e convicção

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20.06.2022

Este ano, depois de uma interrupção forçada pela pandemia, realizaram-se, no seu formato tradicional, as Festas do Senhor de Matosinhos.

Num recorde absoluto, cerca de dois milhões de pessoas participaram nesta grande festa popular, celebrando não apenas a sua devoção ao Senhor de Matosinhos ou a sua vontade de convívio e diversão entre familiares e amigos, mas, sobretudo, a libertação do jugo da pandemia e das suas restrições.

Durante dois anos estivemos, cada um de nós, a viver os efeitos de uma crise sanitária. Agora, ainda que não totalmente livres de risco, sabemos que podemos voltar a viver em comunidade sem medo.

Convém........

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