A ameaça das incertezas globais e a sua reflexão direta na nossa realidade nacional exige-nos uma capacidade de mobilização e de ação que não se compadece com as indecisões do eterno diálogo em que, às vezes, nos perdemos.

As desigualdades que existem, persistem e se podem agravar só podem ser corrigidas com ações determinadas.

Este é, verdadeiramente, o tempo da Política. Seja em Portugal, na Europa ou no Mundo, percebemos que as opções políticas são o determinante maior do nosso presente e do futuro. Estamos perante uma escolha entre a valorização dos valores da democracia, da solidariedade e da liberdade e a claudicação da defesa dos mesmos perante os seus inimigos.

Temos nas mãos uma responsabilidade histórica para a qual a geração mais qualificada de sempre é, também, chamada a contribuir.

A propósito da celebração do Dia Mundial da Juventude, participei num debate, organizado pela Federação Académica do Porto, em colaboração com este jornal, em que discutimos a participação dos jovens na vida democrática e os principais problemas que os afetam: habitação, emprego digno e a capacidade do país de lhes proporcionar as oportunidades que ambicionam.

Precisamos de criar um modelo de sociedade mais amigo dos jovens, que reconheça o salto qualitativo que esta geração pode representar para Portugal.

Por isso, a aposta nas "Agendas Mobilizadoras", que ambicionam transformar a nossa economia pela inovação e pelo conhecimento, deve resultar em empregos com salários dignos para os jovens qualificados que formámos. E as políticas de habitação acessível precisam de encontrar soluções eficazes para permitirem a esta geração o acesso a um direito constitucional fundamental.

Não devemos voltar ao tempo em que a emigração era o caminho que tínhamos para oferecer aos nossos jovens. O país deve mobilizar-se para ser o espaço de oportunidade de que os mais jovens necessitam.

Medidas como o IRS jovem, o apoio às famílias jovens com filhos, o acesso a creches gratuitas são, por isso, fundamentais. Como é fundamental que as empresas reconheçam as qualificações elevadas dos mais jovens com salários correspondentes e com abandono do recurso a formas de contratação que agravam a precariedade laboral.

Aos mais jovens devemos pedir que se envolvam mais na vida da comunidade, que tragam continuamente a energia da esperança e da inovação para que todos possam beneficiar de um país mais solidário e justo, que não aceite as desigualdades como destino.

Presidente da Câmara de Matosinhos

QOSHE - Acreditar nos jovens - Luísa Salgueiro
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

Acreditar nos jovens

4 0 1
15.08.2022

A ameaça das incertezas globais e a sua reflexão direta na nossa realidade nacional exige-nos uma capacidade de mobilização e de ação que não se compadece com as indecisões do eterno diálogo em que, às vezes, nos perdemos.

As desigualdades que existem, persistem e se podem agravar só podem ser corrigidas com ações determinadas.

Este é, verdadeiramente, o tempo da Política. Seja em Portugal, na Europa ou no Mundo, percebemos que as opções políticas são o determinante maior do nosso presente e do futuro. Estamos perante uma escolha entre a valorização dos valores da democracia, da solidariedade e da liberdade e a........

© Jornal de Notícias


Get it on Google Play