Adolescente na Casa Branca
A invasão da Ucrânia pela Rússia trouxe, no âmbito da comunicação, uma grande novidade. Tal como a guerra do Golfo, nos anos 1990, ficou marcada pelas primeiras imagens em direto de um conflito, com os famosos vídeos da CNN de traços esverdeados a rasgar o céu de Bagdade, a "operação militar especial" do Kremlin trouxe os primeiros relatos em massa do conflito pelas redes sociais. Imagens de ataques, da morte provocada pela guerra e informações veiculadas diretamente ao público via redes sociais.
Já a "excursão" de Trump no Irão ficará para a história por vários motivos. Primeiro, pela falta de preparação para um conflito em que pouco se sabia sobre o que se ia enfrentar, sobre as consequências ou como sair. Aparentemente, a retórica da aniquilação não era apenas para incendiar sentimentos nacionalistas e de superioridade americana, mas a administração estava mesmo convencida de que mudava o regime iraniano num par de dias com umas bombas lançadas de B-2 e drones como aqueles que passaram nas Lajes.
Para lá disso, qual adolescente a ventilar frustrações, Donald Trump sofre de verborreia nas redes sociais, onde não filtra estados de espírito ou tenta disfarçar que não sabe o que está a fazer. Alguém acredita mesmo que o Irão vai ver uma mensagem nas redes e pensar: agora, sim, vamos render-nos, abrir o estreito de Ormuz e até fazer uma estátua cor de laranja numa qualquer praça de Teerão? Toda esta situação que, para além de trágica, é também ridícula, é aproveitada pelo regime iraniano nas redes, onde dia após dia surgem novas piadas e vídeos a ridicularizar Trump, quase fazendo esquecer por momentos que se trata de um regime sanguinário. E enquanto tudo isto se passa, Telavive está a caminho do sonho da "Grande Israel" e invade de forma cruel o Sul do Líbano.
