A escolha que os brasileiros vão fazer no próximo domingo é muito importante. Em confronto estão duas formas distintas de fazer a política, dois modelos de sociedade, duas visões económicas, duas perceções diferentes do valor da vida, da família, da segurança, da cultura. Os meus amigos brasileiros dividem-se e o meu coração também.

Este mês foi duro. Falamos muito. Desentendemo-nos ainda mais. Discutimos como se a nossa própria felicidade dependesse do que vai acontecer domingo. E, em parte, vai depender mesmo. Por isso é preciso votar. Só não vale o voto de silêncio.

Minha mãe sempre me disse: para a sociedade a única coisa que realmente importa é a política, tudo o resto é irrelevante. Para ela, que foi jovem nos anos duros da Segunda Guerra Mundial, "política" era a única coisa a separar a humanidade do caos. Quando a política falhou, a selvajaria tomou conta.

Mas, se para evitar o caos e a selvajaria precisamos de políticos, para proteger a democracia de maus políticos, precisamos do povo. Por isso, só não vale o voto de silêncio.

Desde 1988 que a Constituição brasileira tornou o voto obrigatório, mas mesmo assim a abstenção é cada vez maior. Na primeira volta foi 21% - 32,7 milhões de eleitores.

Eu sei o que prefiro, mas não cabe aqui dizê-lo - o voto é secreto. Mas, repito: todas as brasileiras e brasileiros são iguais. Não há uns maus e outros bons, por mais que apoiantes de Lula e Bolsonaro se demonizem entre si, fazendo o melhor garoto de propaganda do adversário.

Em democracia não há cultos ou incultos. Ateus ou evangélicos. Pobres ou ricos. Há apenas cidadãos empoderados pela democracia em um dos mais maravilhosos países da Terra. O que a maioria dos brasileiros escolherem domingo fará o futuro de todos. Só não vale o voto de silêncio.

*Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

QOSHE - Só não vale o voto de silêncio - José Manuel Diogo
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Só não vale o voto de silêncio

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27.10.2022

A escolha que os brasileiros vão fazer no próximo domingo é muito importante. Em confronto estão duas formas distintas de fazer a política, dois modelos de sociedade, duas visões económicas, duas perceções diferentes do valor da vida, da família, da segurança, da cultura. Os meus amigos brasileiros dividem-se e o meu coração também.

Este mês foi duro. Falamos muito. Desentendemo-nos ainda mais. Discutimos como se a nossa própria felicidade dependesse do........

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