Estratégia e tática

Simplificadamente, pode-se dizer que é estratégico o que é estruturante e pretende atingir objetivos de longo prazo; tático, o que diz respeito a ações de curto prazo.

O TGV Porto-Lisboa é estratégico para o país. Poderia haver apenas uma estação em Campanhã, com ligação a autocarro e metro, e outra no aeroporto, para ligação ao avião. Todavia, optou-se por uma terceira estação, a sul do Douro, o que é compreensível numa cidade alargada de 1 milhão de habitantes.

Nas grandes cidades, é consensual que a melhor estratégia para evitar a congestão de veículos motorizados passa por ligar as estações de comboio com a ferrovia urbana (metro). Chegamos, assim, facilmente, à opção Santo Ovídio, servida pelas linhas Amarela e Rubi.

Então, porque é que a Câmara de Gaia defende, antes e agora, uma solução suburbana (São Caetano, Vilar do Paraíso)? Por razões táticas, creio: é mais fácil, mais barato (para a empresa) e tem menos efeitos nocivos durante a obra (na circulação de camiões, ruído, etc.), a que se soma, talvez, a velha ideia de facilitar o acesso de automóveis...

A APA confirmou Santo Ovídio e o Governo respeitou a decisão. É um bom exemplo de como a estratégia se sobrepôs à tática. Além disso, o TGV tem caráter nacional e não local, e o interesse público está acima do privado. Só falta explicar o atraso nas obras e porque paga o TGV uma ligação rodoviária sobre o Douro, à cota baixa, ao lado da Ponte D. Maria Pia, para tirar passageiros ao comboio e ajudar a entupir o Porto de carros.


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