A leste, o desenvolvimento |
Há mais de 20 anos escrevi um texto chamado "A leste do desenvolvimento", tema a que voltei no JN, em 2022, sob o título "A leste". A ideia da cidade dual, a que Júlio Diniz se referia em "A Família Inglesa", entre o requinte dos "ingleses" do lado ocidental e a ostentação dos "brasileiros" no Porto oriental em 1868, alargava eu a Gondomar e Valongo e à desigual qualidade urbana e interesse público.
Lembro agora à AMP - caso exista! - e aos municípios a oportunidade de ação estratégica capaz de antecipar e acompanhar a chegada do TGV a Campanhã e aproveitar a disponibilidade de espaço para urbanização qualificada do lado oriental, num tempo de boom imobiliário. Para isso, importa reconhecer que a congestão e concentração de investimento no centro e lado ocidental beneficia poucos e provoca o aumento da deslocação de muitos, acentuando desigualdades.
Será por isso muito bem-vindo o "novo matadouro" e a reestruturação em torno da estação de Campanhã, na cidade do Porto. Mas é preciso levar isso mais a leste, para um efetivo reforço da coesão territorial. Entre tantas outras coisas, falta um novo polo da Universidade do Porto, melhorar a mobilidade por transporte coletivo rápido e cómodo - quando começam as obras da linha de metro a ligar as cidades de Gondomar e Porto?- e construir a ponte que Nuno Portas e António Babo previram entre Avintes e Foz do Sousa, capaz de diminuir a congestão na VCI e unir o nordeste de Gaia e os espaços centrais de Gondomar e Valongo.