Quid pro quo, para sobreviver
A jornalista do "The New York Times" Kim Barker sintetizou numa certeira ideia a relevância do conhecimento acumulado pela Ucrânia na luta contra os drones russos: "os países do Médio Oriente estão a usar os caros Patriot para intercetar os baratos drones iranianos Shahed, é como usar uma bazuca para abater uma mosca", explicou.
Mais que qualquer outro país, a Ucrânia aprendeu ao logo de quatro anos como a tecnologia é determinante no curso da guerra. Os drones suicidas russos, semelhantes aos Shahed, têm sobrevoado os céus do país em guerra, mas a taxa de interceção é elevada, e apenas cerca de 15% conseguirão atingir o alvo. E esta estatística é um dos trunfos de Volodymyr Zelensky, que prontamente se mostrou disponível para ajudar a administração norte-americana e que tem sido, de acordo com a mesma jornalista, solicitado ao mais alto nível pelos países do Golfo Pérsico, tendo recebido telefonemas do príncipe da Arábia Saudita a pedir ajuda contras as investidas de Teerão. Ainda que, no caso dos mísseis, a eficácia de Moscovo seja mais alta, cada um joga com as armas que tem a cada momento.
O presidente ucraniano quer ajudar o Ocidente e as nações visadas por disparos na última semana e meia, com o envio de meios e de especialistas em defesa aérea para o Médio Oriente. Mas não há almoços grátis, e todos os atores políticos o sabem. Afinal, é na guerra que as alianças se criam.
A Casa Branca e os países árabes perceberam que os drones iranianos são um desafio maior do que podia ser antecipado e, na semana passada, Zelensky aproveitou a onda de pedidos a Kiev para partilhar a competência adquirida à força desde a invasão de 2022 para se elevar na cena internacional. Uma mão lava a outra, e a Leste a guerra ainda continua.
