Do romantismo
Argutamente, num escrito recente, o Germano pôs o dedo na ferida de um atentado cometido contra o património e a identidade portuenses: "Assim nasceu o Museu Romântico, que a estupidez humana destruiu, já nos nossos dias". Nem mais.
Com toda a facilidade, num ápice, o wokismo provinciano de fachada modernista, fez desaparecer mais de meio século de uma instituição admirada pelo público, museu que firmara laços de cumplicidade com a população, local emblemático que dera sentido aos Caminhos do Romântico, que dali irradiavam, atracção que, sentimentalmente, evocava o Rei Carlos Alberto, personagem de certo imaginário popular. Fez-se tábua rasa disto tudo por um arremedo de inovação. E se o Museu tinha contradições e necessitava de reformulação, a solução era reafirmar a sua utilidade e actualizá-lo e não destruí-lo em nome de nada.
Além do mais, poderia constituir, em cidade que pretende internacionalizar-se através da afirmação cultural, uma manifestação histórica cara aos italianos. Porque Carlos Alberto é, ainda hoje, para muitos, sobretudo no Norte daquele país, o herói que promulgou o Código Albertino, modelo político do Estado Liberal e, mais tarde, a sua Carta Constitucional. Promover, na nação transalpina, o conhecimento do modo como o Porto recebeu, se entusiasmou e lamentou a morte daquele rei, poderia constituir mais um polo de atracção, com base no Museu do Romantismo, e outro meio de invocação tripeira. É a altura de repensar, recuperar, reconstruir e devolver ao Porto o Museu das suas mais íntimas memórias sociais e políticas e, se calhar, afectivas.
O autor escreve segundo a antiga ortografia
