Influencers? |
Esta semana ficámos a saber que dezenas de escolas de norte a sul do país abriram as suas portas a influenciadores digitais conhecidos por partilharem conteúdos sexualizados e profundamente misóginos. Sob a capa do "entretenimento", e durante campanhas para associações de estudantes, abriu-se a porta ao lixo digital que destrói, em poucos minutos, anos de trabalho pedagógico dedicado à promoção da igualdade e do respeito.
Antes de mais, a escola tem de ser um lugar de formação e de construção de valores. Um lugar onde se cultiva, e volto a sublinhar, o respeito e a dignidade humana. Este episódio, que agora sabemos não ser isolado e que se tem repetido pelo menos ao longo dos últimos dois anos, serve também como um sinal de alerta para a urgência de reforçar a literacia mediática e cívica entre os jovens.
Naturalmente, cabe às escolas controlar quem entra nos seus espaços, mas seria demasiado simples limitar o problema às direções das escolas. Se os estudantes sentem a necessidade de convidar estas figuras vazias para as suas campanhas, isso revela também uma fragilidade no próprio associativismo estudantil.
É neste ponto que a educação entra, com iniciativas que promovem a participação cívica e o pensamento crítico. O projeto Academia 360º, formalizado nesta quinta-feira entre a FAP e a Câmara Municipal do Porto, é um exemplo do caminho que devemos seguir. Ao levar dirigentes associativos e estudantes do ensino superior às escolas secundárias, estamos a levar a participação informada e o envolvimento ativo na vida pública. A formação de jovens conscientes e educados é o único caminho para afastar as nossas escolas da superficialidade.
Resta saber que referências queremos para as próximas gerações. Se a escola abdicar do seu papel orientador, outros ocuparão inevitavelmente esse espaço, e nem sempre com as melhores intenções.