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Início Seguro

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13.03.2026

O início do mandato do novo presidente da República deixou dois sinais que merecem atenção. Primeiro, a decisão de reunir com 52 jovens provenientes de todos os distritos do país.

Depois, a escolha de terminar o programa das comemorações da tomada de posse no Porto, acompanhado pela promessa (que não iremos esquecer) de olhar para "Portugal inteiro".

Há demasiado tempo que vivemos num país que raramente é pensado como um todo. Lisboa concentra decisões, investimento e atenção, enquanto muitas outras regiões ficam para trás. Os jovens são os mais afetados. A falta de emprego qualificado e de investimento continua a obrigar muitos a sair da sua terra e, quando as pessoas partem, o território perde voz e relevância política.

Apesar disso, Portugal continua a ter talento, ambição e uma geração que quer participar no futuro do país, e disso nunca nos poderemos esquecer. O desgaste que hoje se sente resulta de anos marcados por crises políticas sucessivas e por ciclos eleitorais que raramente permitiram estabilidade. Ainda assim, António José Seguro tem dado sinais de que compreende este momento.

No encontro com jovens, Seguro manifestou preocupação com a coesão social e territorial e reconheceu o talento que existe em Portugal. E se a chegada ao Porto mostrou um compromisso com a descentralização, o concerto especial na Casa da Música foi a prova de que há esperança num momento improvisado, o público entoou o hino nacional. O novo presidente da República não está sozinho.

O que se espera de António José Seguro é estabilidade e capacidade de recordar às instituições as suas responsabilidades. Os portugueses esperam mudança, transparência e um sinal de esperança, sobretudo as gerações mais jovens. A caminhada do novo presidente da República não será fácil e a sua sorte será a sorte de todos os portugueses.


© Jornal de Notícias