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A felicidade não se mede aos palmos

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20.03.2026

No Dia Internacional da Felicidade, assinalado a 20 de março, importa recolocar no centro do debate público uma pergunta essencial: para que serve, afinal, a política? Durante demasiado tempo, aceitámos a noção estreita de progresso, quase sempre reduzida à evolução do PIB. Sempre que a economia cresce, instala-se a narrativa de que o país está a avançar. Mas avançar para onde, se o crescimento não se traduz em saúde mental, coesão social, confiança institucional e qualidade de vida?

A verdade é simples: um país não se mede apenas pelo que produz, mas pela forma como vive. A felicidade não se mede aos palmos, nem cabe por inteiro nas estatísticas económicas. Não basta saber se há mais riqueza; é preciso perceber se essa riqueza melhora a vida das pessoas. Se reduz a pobreza, se combate a solidão e se cria condições de realização para cada geração. É por isso que a política precisa de reaprender a medir o que realmente importa. Adam Smith escreveu, em The Theory of Moral Sentiments, que os governos devem ser avaliados pela felicidade que conseguem promover junto dos cidadãos. O PIB é uma métrica útil, mas insuficiente. Não mede desigualdades, não capta o bem-estar subjetivo, não valoriza o trabalho de cuidado não remunerado, nem distingue crescimento económico de progresso humano. Um país pode crescer e tornar-se mais desigual e mais triste. Falar de felicidade na política não é sentimentalismo, é rigor! É reconhecer que o progresso exige indicadores mais completos, centrados na dignidade, equilíbrio e esperança. É reconhecer que o fim último da política é a felicidade.


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