Planeamento urbano

Vila Nova de Gaia tem uma população de 312 984 habitantes, sendo o terceiro município mais populoso do país. Durante os doze anos de gestão socialista na Câmara, o crescimento imobiliário foi muito expressivo e tudo indica que o concelho vai crescer em número de habitantes, estimando-se que, dentro de meia dúzia de anos, possa ultrapassar os 400 mil.

O grande problema é que, por ausência de planeamento urbano, o município não reforçou a rede viária nem a oferta de novos equipamentos públicos, por exemplo nas áreas da saúde ou nas creches e escolas.

Nos últimos doze anos, não foi construída uma única sala do Ensino Pré-Escolar e do Primeiro Ciclo, abrindo-se as portas à construção de colégios privados, que se instalam em Gaia devido à falta de oferta pública.

Neste momento, cerca de 20% dos alunos, do Pré-Escolar ao Secundário, frequentam o ensino privado. Um dado que deve conduzir a uma reflexão, sendo óbvia a conclusão de que, nos últimos doze anos, a Câmara de Gaia falhou na construção de uma rede eficaz e moderna no ensino público.

Não é compreensível que na aprovação de projetos imobiliários de grandes dimensões não tenha sido acautelada a cedência de terrenos para o domínio municipal, onde fosse possível construir equipamentos nas áreas da educação, da saúde, da segurança ou do desporto.

Não houve, na gestão socialista da autarquia, o cuidado de acautelar o interesse público, quando esteve em causa o investimento privado no imobiliário, e terão de ser os atuais responsáveis pela gestão autárquica a inverter essa lógica de planeamento urbanístico.

Segundo sondagem recente, 78% dos gaienses disseram estar felizes por viverem em Gaia. No entanto, compete aos decisores políticos projetar a cidade tendo em conta as décadas seguintes.

Nomeadamente, construir infraestruturas municipais através de compensações que tirem partido do enorme apetite imobiliário e garantir, dessa forma, a qualidade de vida.


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