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Portugal como um todo

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Ao longo de décadas, o interior de Portugal tem enfrentado um conjunto de desafios estruturais. A desertificação, o envelhecimento demográfico e o menor dinamismo económico são assimetrias que devem ser combatidas. Combater estas assimetrias exige mais do que medidas pontuais. A coesão territorial não se constrói apenas com intenções políticas ou discursos bem elaborados. Constrói-se, acima de tudo, com condições reais de desenvolvimento. Entre essas condições, poucas são tão determinantes como as acessibilidades. É fundamental uma visão estratégica onde a mobilidade e a ligação entre territórios assumam um papel central.

Boas estradas não são apenas vias de circulação. São caminhos para o investimento, para a fixação de empresas, para o acesso a serviços essenciais como a saúde e a educação. São um fator decisivo para a qualidade de vida das populações. Quando um território está isolado ou mal servido de infraestruturas, perde competitividade, perde população, perde futuro.

O concelho de Vieira do Minho é um exemplo claro desta realidade. O território é atravessado por três importantes eixos rodoviários, a EN103, a EN205 e a EN304. O seu futuro depende diretamente da qualidade destas ligações. Só assim se poderá garantir o seu desenvolvimento e a sua afirmação regional ou mesmo nacional. No entanto, estas vias há muito que necessitam de maior atenção por parte do Governo central.

A melhoria destas estradas não é apenas uma reivindicação local. É uma necessidade estratégica, que vai de Viana do Castelo a Bragança, da Póvoa de Varzim ao Arco de Baúlhe, e de Monção a Santa Marta de Penaguião. São vias que asseguram a ligação entre diferentes regiões, que servem populações, empresas e visitantes. Investir na sua requalificação é investir na coesão do território e na igualdade de oportunidades.

O interior não pode continuar a ser penalizado pelas longas distâncias ou pelas "curtas" infraestruturas. Num país que se quer equilibrado e coeso, é fundamental garantir que todos os territórios dispõem de condições para prosperar.

Defender melhores acessibilidades é, por isso, defender o desenvolvimento económico, a justiça territorial e o futuro das nossas comunidades. É garantir que viver no interior não é uma desvantagem, mas uma escolha com qualidade, dignidade e oportunidades. É uma aposta no cultivo de uma verdadeira meritocracia e num elevador social funcional. É a aposta num Portugal como um todo!


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