Ser professor hoje– é preciso esperança! |
A educação e a escola pública parecem, finalmente (!), ganhar eco no discurso político, embora a maioria permaneça vazia e sem compromisso efetivo. Isso ficou evidente nas intervenções dos partidos no passado dia 25 de abril, na Assembleia da República, e - estranhamente - também nas dos presidentes da Casa da Democracia e da República. Muitas das palavras proferidas roçaram a manipulação da História, variando conforme o quadrante político de origem.
As alusões à educação e à escola pública, por mais minimalistas que sejam, principalmente em dia simbólico, sinalizam a importância central destas áreas para uma sociedade democrática. No terreno, espera-se que estas palavras impulsionem, brevemente, a revisão do Estatuto da Carreira Docente. O momento exige uma valorização dos professores; é o "agora ou nunca" que os sindicatos têm vindo a sublinhar.
É vital levar os problemas reais à agenda política e mediática, forçando a discussão com quem os conhece e as decisões com quem tem o poder para os resolver, prescindindo dos habituais "espectadores da democracia".
Não se pode desperdiçar a oportunidade de estabilizar e fortalecer a escola pública, um espaço de todos e para todos. O atual Governo terá de abdicar de argumentos pouco razoáveis face a uma classe docente amplamente esquecida durante décadas e, erradamente, marginalizada nas políticas públicas. É impossível continuar a abafar os anseios de mais de 200 mil profissionais, dos docentes aos assistentes técnicos e operacionais e técnicos superiores especializados.
A crise crónica no recrutamento de professores, a sua avaliação (instrumento de melhoria ou de controlo?), a carência de recursos contra a indisciplina (para quando a revisão do Estatuto do Aluno e Ética Escolar?) e a ingerência abusiva, por vezes intimidatória, de certos encarregados de educação asfixiam a ação de profissionais de excelência. Estes docentes nutrem o sonho das nossas crianças e jovens e orientam-nas no desenho de projetos de vida, pelo que merecem um respeito profundo, pelo trabalho desempenhado, tão digno quanto desgastante, que a sociedade continua a negligenciar.
É necessário devolver a esperança às escolas através de ações concretas, estabelecendo as condições para que todos os profissionais desempenhem as suas funções sem amarras burocráticas ou artificiais. Urge que o façam com galhardia, entusiasmo e renovada dedicação, tal como tem sido apanágio ao longo dos anos, à margem do reconhecimento justo e do devido respaldo institucional.