A IA na área da saúde e os riscos da manipulação algorítmica

A designação "inteligência artificial" (IA) sugere, à partida, uma analogia com a inteligência humana que, do ponto de vista científico, é discutível. Os sistemas atualmente utilizados não pensam, não compreendem nem têm intencionalidade. O que fazem, de forma extraordinariamente eficiente, é integrar grandes volumes de informação e extrair padrões probabilísticos que permitem prever resultados futuros.

Neste sentido, uma conceptualização mais rigorosa da IA aproxima-se da noção de integração probabilística da informação: sistemas matemáticos e computacionais que combinam dados heterogéneos, atribuem pesos às diferentes variáveis e produzem inferências baseadas em probabilidade.

Na área da saúde, esta abordagem tem um potencial transformador. A integração probabilística de informação permite melhorar o diagnóstico precoce através da identificação de padrões subtis em exames laboratoriais ou de imagem, prever o risco individual de doença com base em perfis genéticos e clínicos e apoiar a tomada de decisões terapêuticas mais personalizadas.

Para além da prática clínica, esta abordagem tem um impacto particularmente relevante na investigação em saúde. A capacidade de analisar grandes volumes de dados heterogéneos, desde dados ómicos e registos clínicos até bases de dados epidemiológicas, permite identificar associações complexas e gerar novas hipóteses científicas. Estes sistemas podem acelerar a descoberta de fármacos, identificando novos alvos terapêuticos e........

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