Por diversos que sejam os modelos prospetivos de desenvolvimento, é um facto que sem uma estrutura produtiva baseada em bens transacionáveis, dificilmente conseguiremos voltar a ter padrões económicos e sociais relevantes, que permitam voltar a recuperar uma posição digna no ranking da competitividade dos países da União Europeia.

São múltiplos os fatores a considerar na melhoria permanente da estrutura produtiva. Desde logo a questão da qualificação dos recursos humanos, dos colaboradores à gestão de topo. A pressão crescente dos mercados sobre os jovens formados pelas universidades e politécnicos, em especial nas áreas mais centradas nas tecnologias e digitalização, coloca em causa a forma como muitas das nossas empresas abordam esta franja de recursos humanos: não é possível manter o esmagamento inicial dos salários nos recém-graduados, sobretudo face à pressão crescente de entidades externas, que para além de ofertas mais atrativas nas origens, começam a propor múltiplas oportunidades em Portugal, numa mistura atrativa da relação entre salário e custo de vida. Se a melhoria progressiva da qualificação média dos colaboradores é um objetivo, o mesmo tem de acontecer na capacidade de gestão. A ambição de um posicionamento entre os melhores países da União Europeia deve ser um objetivo público de médio prazo, assumido como tal e trabalhando de forma concertada para que aconteça. Sem quebras e resistindo ao pré-anúncio da sua impossibilidade. É difícil, mas possível, sendo que sem assumirmos essa meta, não a atingiremos garantidamente.

Há ainda outro pilar essencial, o da capitalização e crescimento das empresas. Mais do que novas fórmulas de empréstimo, é fundamental ter sistemas simples e objetivos de apoio ao crescimento, fusão e aquisição. O tecido das PME tem de, de uma vez por todas, ganhar escala e consistência, como condição para uma presença mais significativa em mercados internacionais.

*Reitor da UTAD

QOSHE - O regresso à industrialização - Emídio Gomes
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O regresso à industrialização

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15.07.2022

Por diversos que sejam os modelos prospetivos de desenvolvimento, é um facto que sem uma estrutura produtiva baseada em bens transacionáveis, dificilmente conseguiremos voltar a ter padrões económicos e sociais relevantes, que permitam voltar a recuperar uma posição digna no ranking da competitividade dos países da União Europeia.

São múltiplos os fatores a considerar na melhoria permanente da estrutura produtiva. Desde logo a questão da qualificação dos recursos humanos, dos........

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