Ainda 2022 vai a meio e já há quem esteja a pensar em 2026. Eu não sei o que vou fazer hoje para o jantar, se faço ervilhas com ovos ou se aposto nuns panados com salada russa, mas parece que os meios de comunicação social começaram já a fazer sondagens sobre o futuro presidente da República portuguesa.

A única certeza que tenho para 2026 é que o domingo de Páscoa vai calhar a 5 de Abril, já que é aquela data que até à última nunca ninguém sabe quando calha. Assim pronto. Este assunto fica já arrumado.

Quer na sondagem da Intercampus quer na da Pitagórica, parece que as eleições presidenciais têm o mesmo vencedor inequívoco: Cristina Ferreira. Estou a brincar, não é. E se calhar não se deve tanto a que o seu nome não tenha integrado a lista mas porque os portugueses ainda não perceberam a aposta no Rúben Rua. Pessoalmente, acho que a Cristina Ferreira tem mais do que qualificações suficientes para o cargo porque quem consegue gerir uma casa com Bruno de Carvalho e Nuno Homem de Sá consegue comandar tudo. Mas mais do que Cristina, só Manuel Luís Goucha seria o candidato perfeito por já ter dado provas que se consegue sentar com todos à mesma mesa sem a atirar ao ar.

A verdade é que as sondagens mostraram que, se as eleições fossem hoje, a maioria das pessoas votaria no almirante Gouveia e Melo. As pessoas escolheriam um militar para mais alto magistrado da nação. Vamos só parar aqui dois segundos para refletir nesta ideia. Pronto. Pouco sabemos sobre as suas convicções dado que a única referência a um espectro político é aquilo do "um dois esquerda direita" e apesar de não ter experiência em campanhas políticas, é o rosto da maior campanha de vacinação e eu percebo o apego. Quando, por causa da idade, deixei de poder ir ao doutor que me dava as vacinas também fiquei com saudades do meu pediatra. Neste caso, não sei se a relação emocional é pelas picas se é pela indumentária que impõe alguma autoridade. Quero acreditar que é pela primeira razão.

De todos os nomes lançados para estas eleições como Paulo Portas, Durão Barroso, Marques Mendes, Ana Gomes ou Santos Silva, o almirante é claramente a pessoa em mais condições físicas para a corrida ao Palácio de Belém. Talvez só José Sócrates com o seu gosto pelo jogging e por viver em casas que não são dele, mas este preferiu mais armar-se em carapau de corrida.

Gouveia e Melo disse em dezembro do ano passado que, sobre essa questão, "o futuro a Deus pertence" e eu não tenho a certeza de que Deus seja um bom recurso para se usar em política. É como fazer misturas na noite: juntas Deus e Política e quando dás por ti a coisa está tão descontrolada que te leva ao profundo arrependimento quando acordas. A última vez que a divindade foi usada no discurso político foi por Assunção Cristas numa altura de seca no país e hoje o CDS é que está de chuva. Mas sobre esta questão das presidenciais, o líder da task force também ressalvou que preferia que não lhe fizessem e cito "a mesma pergunta 300 vezes". Logo aqui revela que é capaz de não ser o candidato perfeito para o cargo porque, à vigésima pergunta "Sr. Presidente, posso tirar uma selfie consigo?" não convém mandar encher 25 flexões.

Curiosamente, em último lugar em notoriedade na sondagem da Pitagórica surge Tiago Mayan Gonçalves ex-candidato presidencial da Iniciativa Liberal, o que é estranho se compararmos com os bons resultados que o partido tem conseguido obter. Tenho em mim que as pessoas não votaram nele porque não estava lá escrito Tiago Mayan Rodrigues e as pessoas com Gonçalves não viram quem era. Mas, se olharmos para as últimas eleições por exemplo, percebemos que as sondagens induzem em erro e, por isso, eu gostaria era de ver uma sondagem sobre as sondagens: "Prefere ler sondagens ou ver as Cartas da Maya?", "O que é que acha que o Rui Rio deve fazer com as 37 caixas de espumante que o Rui Rio comprou depois de ter confiado nas nossas sondagens?"

Humorista

QOSHE - O presidente de tod... quase tod... bom, alguns portugueses - Cátia Domingues
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O presidente de tod... quase tod... bom, alguns portugueses

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24.07.2022

Ainda 2022 vai a meio e já há quem esteja a pensar em 2026. Eu não sei o que vou fazer hoje para o jantar, se faço ervilhas com ovos ou se aposto nuns panados com salada russa, mas parece que os meios de comunicação social começaram já a fazer sondagens sobre o futuro presidente da República portuguesa.

A única certeza que tenho para 2026 é que o domingo de Páscoa vai calhar a 5 de Abril, já que é aquela data que até à última nunca ninguém sabe quando calha. Assim pronto. Este assunto fica já arrumado.

Quer na sondagem da Intercampus quer na da Pitagórica, parece que as eleições presidenciais têm o mesmo vencedor inequívoco: Cristina Ferreira. Estou a brincar, não é. E se calhar não se deve tanto a que o seu nome não tenha integrado a lista mas porque os portugueses ainda não perceberam a aposta no Rúben Rua. Pessoalmente, acho que a Cristina Ferreira tem mais do que qualificações suficientes para o cargo porque quem consegue gerir uma casa com Bruno de........

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