O passado dia 8 de setembro foi um dia muito importante para os monárquicos de todo o Mundo. Desde ingleses, portugueses e até para mim que, em assuntos de monarquias, sou mais pelo Rei dos Leitões na Mealhada, ali na Nacional 1. No dia em que desapareceu a responsável do segundo reinado mais longo da história do Reino Unido, apareceria a duquesa de Bragança numa corrida de toiros no Campo Pequeno.

A verdade é que a notícia da morte da rainha Isabel II não deixou ninguém indiferente. Não vão acreditar, mas parece que a Internet se dividiu entre a tristeza de quem acabou de perder um ídolo e a alegria de quem viu morrer a megera da tia-avó que nos dava pacotes de línguas de gato pelo Natal. Agora, aquilo em que todos podemos concordar é que não tenha sido inesperado. Quando uma pessoa chega a uma certa idade, não podemos dizer que falecer seja uma surpresa. Uma surpresa seria se a rainha tivesse aberto uma conta poupança aos 96 anos para um dia fazer um interrail.

Em Portugal, foi anunciado que no dia 8 aconteceria, no Campo Pequeno, a corrida de toiros real, aparecendo escrito no cartaz "Digna-se a assistir à corrida de toiros Sua Alteza Real a Senhora Dona Isabel, Duquesa de Bragança". Fiquei só com uma dúvida sobre onde estaciona o coche nestas ocasiões. Espero que possam parquear na zona dos veículos elétricos, já que também é um meio de transporte bom para o ambiente. Mas, honestamente, acho refrescante este tipo de cartazes de eventos, porque geralmente são compostos pelos nomes dos artistas e nunca fazem menção à plateia. A Roberta Medina podia pegar nesta ideia e no próximo Rock in Rio, mais do que promover a presença da Ivete Sangalo ou da Anitta, podia fazer cartazes com "Digna-se a assistir parte do elenco da nova telenovela da SIC e parece que a Rita Pereira vai lá dar um saltinho ao final do dia".

Em alguns países, a monarquia começa a dar sinais de progressismo, como por exemplo a Holanda, que permite o casamento da herdeira da coroa com uma pessoa do mesmo género, e a nós só nos calha é duques. Atenção, se é para ter um Bragança no trono de Portugal, eu gostava de sugerir o Paulo Bragança, o músico muito popular nos anos 90, que cantava o fado descalço. Eu fiquei impressionadíssima com a sua história de, por vicissitudes da vida, acabar na Irlanda a viver durante um ano e meio sozinho, num castelo, a comer batatas com chá. Só por isto é factualmente o Bragança mais qualificado para o emprego. Diz-se que a monarquia está muito longe do povo, mas não se pode dizer que tenha sido o caso de uma rainha como a Isabel II. Chamar-se Elisabete Alexandra é do mais povo que há por aí. Há também quem partilhe a ideia de que realeza já não faz sentido no mundo atual e que não é por alguém ser expelido de determinado útero que lhe dá um estatuto diferente na sociedade. Mas é um bocadinho isso que fazemos todos com a família Aveiro.

*Humorista

QOSHE - Isto são imagens reais - Cátia Domingues
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Isto são imagens reais

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11.09.2022

O passado dia 8 de setembro foi um dia muito importante para os monárquicos de todo o Mundo. Desde ingleses, portugueses e até para mim que, em assuntos de monarquias, sou mais pelo Rei dos Leitões na Mealhada, ali na Nacional 1. No dia em que desapareceu a responsável do segundo reinado mais longo da história do Reino Unido, apareceria a duquesa de Bragança numa corrida de toiros no Campo Pequeno.

A verdade é que a notícia da morte da rainha Isabel II não deixou ninguém indiferente. Não vão acreditar, mas parece que a Internet se dividiu entre a tristeza de quem acabou de perder um ídolo e a alegria de quem viu morrer a megera da tia-avó que nos dava pacotes de línguas de gato pelo Natal. Agora, aquilo em que........

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