No quadro dos 200 anos da independência, e a pedido do Governo do Brasil, o coração de D. Pedro regressou à Praça dos Três Poderes, em Brasília, para participar nesse evento e avaliar a nação que construiu.

Competiu ao presidente da Câmara Municipal do Porto, dr. Rui Moreira, ser o portador dessa relíquia para, de uma forma simbólica, representar a união entre dois povos e estados amigos.

O regresso, por instantes, do coração de D. Pedro significou um novo sentido nas relações entre os dois países e, fundamentalmente, abrir um diálogo solidário para as novas gerações.

Tive a oportunidade de seguir, em Brasília, alguns desses emocionantes momentos que se vão prolongar até ao dia 7 de setembro, o dia do grito do Ipiranga.

O Brasil soube reconhecer a importância desse ato para as relações entre os dois povos e mais importante para a construção de futuro coletivo.

Nunca, como hoje, a relíquia de D. Pedro, IV de Portugal e I do Brasil, ganha um novo significado patriótico. Neste significado de união ganha particular realce histórico e importância a cidade do Porto que ele soube amar ao ponto de lhe legar o seu coração.

A cidade do Porto soube responder de forma unânime para tornar possível este resultado. Quer o poder político quer a sociedade civil souberam compreender que o coração de D. Pedro é um património único dos dois povos.

A Câmara do Porto e a Ordem da Lapa fizeram participar as nossas gentes neste momento tão individualizado e que marca o traço distintivo que D. Pedro gostava que fosse salientado. O gosto pela liberdade e pela capacidade de sacrifício que as gentes, dos dois lados do Atlântico, sempre souberam valorizar.

Rui Moreira deixou-nos um desafio para que de cinco em cinco anos seja possível às gentes do Porto, do Brasil e do Mundo observarem o coração do rei soldado.

Parece-me uma proposta perfeitamente exequível e muito oportuna. Considero que seria importante a sociedade civil ser envolvida e assumir-se como o motor desta iniciativa. Deixo aqui uma solução para desenvolver este processo, sugerindo a criação de uma Associação da Rota Liberal que possa promover um programa em volta não só do coração de D. Pedro como também naquilo que ele representou para a projeção da cidade do Porto.

Ao servir de ponte entre Portugal e o Brasil, o coração de D. Pedro representa acima de tudo a importância da cidade do Porto nessa eterna batalha pela liberdade e o respeito pelos direitos humanos.

Como escrevia o biógrafo de D. Pedro IV, o professor Eugénio dos Santos: "Pedro transformou-se, na verdade, no primeiro e no maior português-brasileiro".

*Professor universitário de Ciência Política

QOSHE - O coração de D. Pedro - António Tavares
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O coração de D. Pedro

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01.09.2022

No quadro dos 200 anos da independência, e a pedido do Governo do Brasil, o coração de D. Pedro regressou à Praça dos Três Poderes, em Brasília, para participar nesse evento e avaliar a nação que construiu.

Competiu ao presidente da Câmara Municipal do Porto, dr. Rui Moreira, ser o portador dessa relíquia para, de uma forma simbólica, representar a união entre dois povos e estados amigos.

O regresso, por instantes, do coração de D. Pedro significou um novo sentido nas relações entre os dois países e, fundamentalmente, abrir um diálogo solidário para as novas gerações.

Tive a oportunidade de seguir, em Brasília, alguns desses emocionantes........

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