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Geoeconomia de fluxos e espaços-rede de lugares

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10.02.2026

Volto ao tema da cooperação descentralizada territorial e às hiperligações entre espaços de fluxos e espaços-rede de lugares, uma oportunidade para refletir, mais uma vez, sobre a valorização das áreas de baixa densidade (ABD).

Os lugares são os rostos do nosso habitar sobre a terra. Eles são também palimpsestos, uma delicada e complexa estratificação de rastos, sinais, subversões, de remodelações e destruições, humanas e naturais, nunca são aqueles territórios anódinos que imaginam os projetistas e especuladores.

(Luísa Bonesio, p.472, em Filosofia da Paisagem)

A geoeconomia do espaço está em profunda transformação e o palimpsesto em constante remodelação. O nosso tempo é dominado pela mobilidade e velocidade, logo, o espaço de fluxos prevalece sobre o espaço de lugares. As tecnologias de informação e comunicação acentuam esta tendência, aceleram o marketing e a publicidade dos lugares e geram um fluxo assimétrico de visitação entre, de um lado, os lugares de destino com mais signos distintivos e, de outro, os lugares mais remotos, esquecidos e abandonados. Todavia, e como diz a citação, os lugares nunca são aqueles territórios anódinos que imaginam os projetistas e especuladores, eles são uma delicada e complexa estratificação de rastos, sinais, subversões e remodelações em constante movimento. Façamos, pois, o caminho do nosso palimpsesto.

Como já referi em textos anteriores, a grande dialética dos territórios é entre espaços de fluxos e espaços-rede de lugares, uma interação que foi extraordinariamente acelerada pela digitalização da informação, do conhecimento e da comunicação. A nossa pergunta de partida é, pois, fácil de enunciar: como aproveitar este metabolismo entre espaços de fluxos e espaço-rede de lugares de modo a reforçar as hiperligações de uma geoeconomia da cooperação multiterritorial mais criativa e intensiva?

O diagnóstico desta dialética territorial está feito. Ele tem muito a ver com a convergência/divergência dos ciclos reprodutivos que alimentam o clima, a tecnologia, a ecologia, a economia e a vida coletiva. Os termos desta equação têm ciclos de duração muito variável e este facto está na origem dos nossos principais problemas de ajustamento, adaptação e desenvolvimento. O clima tem ciclos longos, porém, cada vez mais curtos e severos. A tecnologia tem ciclos muito curtos de inovação, mas acelera com frequência deixando muita gente para trás. A ecologia tem ciclos mais longos, mas por........

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