Indispensável - porque a Europa pode renascer |
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Há uma oportunidade histórica de a Europa se afirmar como terceiro polo da nova ordem mundial. Mas a janela está a fechar.
Pensar Portugal, a Europa e o mundo é, como expliquei no artigo anterior, um exercício importante como cidadão e empresário. Mas é fundamental como pai. As decisões que se tomam hoje sobre tecnologia, soberania e segurança vão definir o mundo onde os meus filhos vão construir as suas vidas. E é com essas lentes que olho para o que se passa à nossa volta, porque estamos num daqueles momentos que a história só reconhece depois. A Europa enfrenta uma escolha que se faz silenciosamente, decisão a decisão, contrato a contrato, lei a lei. E ainda não decidimos.
A boa notícia é que ainda podemos escolher. A má notícia é que a janela está a fechar.
A imagem que melhor capta o mundo que nos rodeia não está em Bruxelas nem em Washington. Esteve em Pequim, a 13 de maio. Donald Trump aterrou na China com uma delegação que dizia tudo: Tim Cook, Elon Musk, Jensen Huang, Larry Fink, David Solomon. Os CEO das empresas que controlam a infraestrutura sobre a qual corre a economia mundial, sentados na mesma mesa que Xi Jinping. Não foi uma cimeira tradicional entre Estados. Foi uma cimeira entre dois ecossistemas tecnológicos. Os governos negoceiam. As empresas decidem.
Esta é a ordem que se está a formar. Eixos tecnológicos com lideranças regionais. As superpotências de amanhã serão definidas pela sua capacidade tecnológica, e pela forma como a colocam ao serviço das dimensões militar, económica e civilizacional. Tudo o resto é consequência.
E a Europa? A Europa observa. Ainda.
Mas há um pormenor da história contemporânea que mudou tudo e que poucos europeus interiorizaram: a Ucrânia.
Em julho de 2025, a 3.ª Brigada de Assalto da Ucrânia tomou uma posição russa em Kharkiv sem um único soldado em campo, apenas drones e robôs terrestres operados remotamente. No céu, os mísseis Kinzhal russos, estimados entre 10 e 15 milhões de dólares cada, estão a ser neutralizados pelo sistema Lima, desenvolvido pela ucraniana Cascade Systems, com taxas de sucesso de 58 em 59. A tecnologia ucraniana custa uma fracção do que destrói e está a redefinir a doutrina militar do século XXI.
A lição é evidente, mas demora a ser dita em voz alta: a Europa pode tornar-se potência militar através da tecnologia. Nunca seremos os Estados Unidos pela quantidade. Nunca seremos a China pela centralização de decisões. Mas temos a base científica, industrial, de engenharia e de inovação para liderar exatamente este tipo de capacidade: drones, robótica, IA aplicada à defesa, guerra eletrónica, sistemas autónomos. A guerra moderna não se ganha com mais soldados. Ganha-se com a........