Que limites para a IA?
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O recente confronto entre a empresa Anthropic e o Departamento de Defesa (DoD) dos EUA constitui um marco no âmbito do debate sobre ética, na utilização da inteligência artificial. Ao recusar-se a autorizar o emprego do seu modelo Claude em vigilância doméstica e em sistemas de armas totalmente autónomos, a empresa, e em concreto o seu CEO Dario Amodei, assumiu uma posição rara num setor onde as pressões económicas e de segurança muitas vezes se sobrepõem às considerações morais.
Na sequência deste gesto, a 4 de março, a Anthropic foi formalmente notificada de que havia sido considerada uma empresa de risco (“supply chain risk”) para a segurança nacional, uma medida sem precedentes contra uma empresa americana. Em consequência, o DoD deixará de utilizar os produtos da Anthropic num prazo de seis meses, independentemente de, por agora, se estar a apoiar largamente no Claude, na guerra contra o Irão. A cessação do contrato de US$200 milhões com esta empresa, substituindo-a pela tecnológica OpenAI, aberta a permitir o uso da sua tecnologia para “todos os fins legais”, sem restrições, revela bem o grau de tensão existente entre princípios éticos e imperativos estratégicos.
Num texto datado de 2024 (“Machines of Loving Grace”, How AI Could Transform the World for the Better), em que Amodei faz o elogio dos benefícios da IA para a........
