As liberdades invisíveis
Hoje não atendi o telefone.
Não foi por falta de tempo nem por distração. Vi o nome, reconheci a insistência, e deixei tocar. Durante aqueles segundos, não fiz nada, e foi precisamente aí que senti qualquer coisa próxima de liberdade. Não a que se celebra nas ruas, nem a que se escreve em letras maiúsculas nos livros de História. Uma outra. Mais pequena. Quase invisível. A liberdade de não corresponder.
Crescemos a acreditar que a liberdade é um acontecimento: uma data, um feito coletivo, um momento que muda tudo de uma vez. E é verdade; mas há uma outra, menos épica e mais difícil de reconhecer: a que se decide no íntimo, sem testemunhas, sem aplauso. A que se exerce quando ninguém está a ver. Uma liberdade que surge como um ratinho que vai construindo o........
