O enterro

Guilherme quer é que morra gente para ele ir aos funerais e depois ir beber vinho para as tascas” – conversas de minha mãe, sempre a rir, mas afogueada de trabalho e às pressas por ainda ter de aprontar o fato e a gravata preta para meu pai se apresentar decente, limpo e asseado à frente do falecido e da sua família. Com a nossa familinha, minha mãe não dizia estas coisas tontas e sofria muito com a partida das alminhas da gente. Mas eu percebo meu pai. Para além de ir prestar a última homenagem ao defunto e de fazer as nossas vezes, ia também confraternizar com amigos e conhecidos, depois da triste função, talvez falar sobre histórias do finado e trazê-lo de certa forma para a roda dos amigos. Já se sabe que os mais ausentes são os mais presentes, em certas ocasiões.

Na verdade, não era preciso mais ninguém da família ir a funerais, porque Guilherme estava lá por todos. E toda a gente sabia que quem lhe tinha arranjado a roupa tinha sido minha mãe, o que quer dizer que........

© JM Madeira