Um Natal com luzes a mais e pão a menos |
Na Madeira, o Natal não é apenas uma data, é um estado de espírito. Há a mesa farta, o cheiro a carne de vinha-d’alhos, as luzes acesas, a poncha a circular, a família reunida e, no fim, aquele balanço quase ritual: deu trabalho, custou dinheiro, mas valeu a pena porque foi para todos. O Orçamento Regional para 2026, discutido em pleno período natalício, seguiu um outro caminho. Assemelhou-se a uma daquelas consoadas onde a casa está enfeitada, o presépio é luxuoso, mas falta comida nos pratos de quem mais precisa.
Num típico conto natalício há sempre abundância prometida, uma mesa bem provida e a esperança de que todos tenham lugar. Aqui, o enredo é outro... embrulho vistoso por fora, conteúdo pobre por dentro.
As contas públicas brilham como iluminação festiva, mas não aquecem lares frios nem resolvem aflições. Anunciaram um PIB acima dos 8 mil milhões de euros, um excedente orçamental próximo dos 200 milhões e uma receita fiscal em crescimento. No entanto, quando se sai da contabilidade e se entra nas casas reais, o cenário muda........