O fim da Câmara dos Lordes
A 30 de abril de 2026, os pares hereditários da Câmara dos Lordes sentaram-se pela última vez. Sir Keir Starmer apresentou o gesto como modernização democrática; na realidade, tratou-se da eliminação deliberada de um dos últimos travões institucionais ao poder do Executivo, à disciplina partidária e ao curto-prazismo eleitoral.
A linguagem usada para justificar a reforma é reveladora: “arcaico”, “indefensável”, “antidemocrático”. Mas o que verdadeiramente se condena não é o desempenho da instituição. É a sua própria natureza. O pecado dos Lordes hereditários era existirem como forma de legitimidade não criada pelo partido, pelo governo ou pelo cálculo eleitoral.
E é precisamente aí que residia a sua utilidade. O par hereditário era o raro membro do Parlamento........
