Longe da vista nos vai?

No dia 10 de dezembro, celebrou-se mais um Dia Internacional dos Direitos Humanos. Neste mesmo dia, uma rádio francesa entrevistou muito oportunamente a música e escritora, Léonor de Recondo. No seu último livro, Marcher dans tes pas (Caminhar nos teus passos), a autora conta-nos a história da sua avó e do seu pai, que se tornaram apátridas — o pai viveria nesta condição cerca de 40 anos — por terem escapado da Guerra Civil de Espanha e atravessado a ponte para França. Tiveram 10 minutos para decidir o que fazer, e se deviam tudo abandonar. Depois, aconteceu a II Guerra Mundial em que a família teve de entrar na clandestinidade, em condições de grande miséria. O pai, escultor, a filha, violinista — um instrumento que ela diz ser o dos exilados, porque nómada — será que alguns dos judeus perseguidos e mortos no dia 14 de dezembro, na Austrália, ao festejarem as luzes (Hanukkah) tocariam violino? Ahmed al-Ahmed, naqueles segundos pelos quais se espera toda uma vida, desarmou um dos atiradores, e mostrou-nos como se faz um solo de violino, e, no final, se depõem as armas.

Recondo relembra a lei da memória democrática votada em 2022 em Espanha, permitindo aos perdedores da Guerra Civil, os Republicanos........

© JM Madeira