E se o abismo fosse já ali?

A retórica que acompanha os últimos acontecimentos mundiais sugere que o que aí vem não se trata de uma pequena troca de galhardetes limitada no tempo. A liderança israelita enfatizou a ideia de prevenção e de eliminação do que descreve como uma «ameaça existencial». O presidente Donald Trump enquadrou a operação como uma campanha com o objetivo de desmantelar as capacidades militares do Irão e, ao mesmo tempo, já que lá estamos, de incentivar os iranianos a livrarem-se por eles próprios de um governo despótico e sanguinário. Do lado iraniano, «não há linhas vermelhas» após os ataques, declarando todos os ativos americanos e israelitas na região como alvos legítimos.

É esta união de ação militar com uma retórica maximalista e ameaças diretas que demonstra o quão grave e perigosa é a crise atual. O envolvimento de vários Estados do Golfo – anfitriões (in)voluntários de infraestruturas militares estrangeiras – anuncia a rápida regionalização do conflito. A conflagração de lutas........

© JM Madeira